sábado, 16 de setembro de 2017

Grandes Mulheres da História Africana, David Sweetman



A história é escrita pelos vencedores. Por isso, muitas vezes os verdadeiros heróis e heroínas são esquecidos, estando omissos nos livros e, com o tempo, na memória da Humanidade. Nem todos se conformam com este facto. David Sweetman (também ele uma personagem especial como se pode ver no seu obituário) escreveu este pequeno e precioso livro sobre mulheres que lideraram nações em África, apresentando-as por ordem cronológica, separadas por capítulos. De uma penada Sweetman faz cair dois mitos. O da África selvagem e sem organização até à chegada dos europeus e da ausência de figuras femininas com relevo político na história daquele continente. Encontrei o livro por mero acaso num alfarrabista e demorei algum tempo a ocupar-me dele. Mas gostei muito de o ler, está escrito com simplicidade mas muita informação e despertou-me a vontade de saber mais sobre a história de África. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

As navegações de S.Brandão





         A literatura de viagens é hoje um segmento que conquista muitos leitores. A navegação de S. Brandão é a primeira crónica do género de que há notícia, pelo menos no ocidente (data do século V). O seu autor era um monge irlandês que, fosse por ofício ou por gosto, andou pela Europa. Deixando relato escrito de quanto encontrou e viveu. As crónicas disseminaram-se pelo Velho Continente, existindo diversas versões. Em Portugal estão identificadas duas. Foram estas narrativas que alimentaram o imaginário dos homens medievais inspirando os primeiros navegadores portugueses. Também eles, a seu tempo escreveram relatos emocionantes de aventuras únicas como fazer a viagem por terra ligando a Índia e Portugal ou a descoberta do Tibete. 

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Indochina, Jorge Vassallo



   
Comprei este livro antes de ir de férias para o Sudeste Asiático mas acabei por apenas o ler no regresso. É uma escrita simples, objectiva e coloquial, com sugestões e conselhos que vale a pena conhecer caso se esteja a pensar ir ao Vietname, Laos ou Cambodja. Para além de dar a conhecer estes países, o livro tem a indicação de contactos para realizar algumas actividades e toca em alguns pontos sensíveis, como o turismo ético com que todo o viajante a qualquer destes países acaba por se confrontar. 

domingo, 10 de setembro de 2017

Notícias dos portugueses no Japão ...

Não sei os Alphaville, que nos anos 80 cantavam o quase lendário Big in Japan foram de facto àquele país oriental. Sinceramente, nem sequer consigo perceber bem o sentido da letra. Mas os portugueses sim, estiveram lá e deixaram marcas ainda hoje visíveis. Dois exemplos desse espírito aventureiro, separados por mais de 100 anos entre si, são Wenceslau de Morais e Ricardo Adolfo. Ambos foram viver para o Japão, tendo casado com japonesas. Wenceslau escreveu diversas obras sobre o país do sol nascente, para além de artigos para a imprensa da época. As Cartas Japonesas fazem parte desse acervo, mas não o esgotam. Nelas, Morais escreve longamente (e elogiosamente) sobre a história, civilização e sociedade japonesas, respondendo à curiosidade que os portugueses, como os ocidentais em geral, tinham sobre esse país. Adolfo escreve num registo diferente, coloquial,  bem humorado e menos encantado, sobre o seu dia-a-dia nipónico. Separam-nos mais de um século de diferença, com as consequentes mudanças vividas na sociedade japonesa. Mas na prosa de um e outro há pontos em comum que vale a pena descobrir. 
Já conhecia o trabalho de Wenceslau de Morais e a obra de Ricardo Adolfo, prenda de aniversário, foi um bom pretexto para o reler. 

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Herman Hesse, Uma biblioteca de Literatura Universal


O prazer de ler e as escolhas de cada leitor dão pano para mangas e são tema de muitos livros.
Este é o contributo de Herman Hesse com um conjunto de pequenos ensaios. São simples ler, ou não fosse Hesse conhecido pela clareza da escrita, límpida e objectiva, mesmo quando o tema tratado é denso. De entre os textos gostei especialmente daquele onde Hesse se dedica ao exercício de construir a biblioteca indispensável, afastando o cânone ocidental em detrimento de leituras mais abrangentes, defendendo a abertura às letras geograficamente mais longínquas. Por mim, revejo-me, nos livros como na vida, nas palavras de Zenão, personagem da Obra ao Negro de Marguerite Yourcenar: “Quem seria insensato ao ponto de morrer sem ter dado uma volta pela sua prisão?”
E sendo a leitura a forma mais cómoda de viajar, melhor do que ficarmos por perto é, ao menos de vez em quando, arriscarmos ir ao outro lado do mundo.