Cristina Campo foi escritora, poetisa e tradutora. E deixou-nos pérolas como esta:
Maturidade: Aquele instante misterioso que nenhum homem alcança antes do tempo, mesmo que todos os mensageiros do céu descessem para o ajudar. Assim sucede nas antigas histórias com a série das aparições: todas igualmente eloquentes e ineficazes: a pomba, a raposa, a velha com o molho de silvas. Contudo dizem todas a mesma coisa, repetem e insistem no mesmo aviso. Seria fácil entrever por baixo das penas, do pêlo ruivo ou dos andrajos o relâmpago azul-celeste do trajo da Parca.
Maturidade: nem fulminações, nem vozes. Só um precipitar inesperado, quero dizer, biológico: um ponto que deve ser tocado por todos os órgãos ao mesmo tempo para que a verdade se possa tornar natureza.
É como acordar uma manhã e saber uma língua nova. E os sinais, vistos e revistos, tornam-se palavras.
Os Imperdoáveis, Assírio & Alvim, pág. 158
Tenho de ler este. Muito a propósito do que muitas vezes falamos
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