sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Entre tantas coisas admiráveis que escreveu, Italo Calvino deixou-nos esta reflexão que é também um desafio:

"O Grande Khan já estava folheando no seu atlas os mapas das ameaçadoras cidades que surgem nos pesadelos e nas maldições: Enoch, Babilónia, Yahoo, Butur, Brave New World.
Disse:
- É tudo inútil, se o último porto só pode ser a cidade infernal e que nos suga num vórtice cada vez mais estreito.
E Pólo:
- O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, os que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até ao ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço.”
Ítalo Calvino, As cidades invisíveis, pág. 166

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