quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Lady Gaga e O Monte dos Vendavais


Canta Lady Gaga: “I want your love, and I want your revenge/you and me could write a bad romance/ I want your love, and all your love is revenge/ you and me could write a bad romance”.
Não sei qual a inspiração para esta letra. A mim veio-me à cabeça O Monte dos Vendavais, o epítome da paixão amorosa mal sucedida em todo o seu esplendor.
O Monte dos Vendavais foi o único livro escrito por Emily Bronte. Publicado em 1847. Ainda hoje não pode deixar de impressionar quem o lê. Narra a tortuosa história de Catherine Earnshaw e de Heathcliff. Atraídos um pelo outro desde a infância, vivem uma paixão mal sucedida, pela qual não apenas se condenam à infelicidade, mas também espalham o sofrimento pelos que os rodeiam.  
            Os heróis da história são anti-heróis. À data, essa era uma perspectiva original, em particular se tivermos em atenção ser esta uma história de amor. Em adulta, Catherine surge-nos como uma mulher caprichosa e egoísta, não hesitando em sacrificar o marido e a cunhada para agradar a Heathcliff, a quem ama e odeia. Este consumido, primeiro pela rejeição e depois pelo trágico destino da sua amada, é um homem violento e cruel, determinado a esmagar qualquer bom sentimento que pressinta estar a surgir. Apesar disso, mesmo num local tão inóspito em termos de paisagem e sentimentos como é o monte dos vendavais, a esperança renasce, com novos protagonistas.
            São muitas as interpretações feitas deste romance, ultrapassando a visão pretensamente redutora da “história de amor infeliz”. Heathcliff, por exemplo, já tem sido explicado como o símbolo da luta social e das classes oprimidas. Quanto a Catherine tem sido objecto de interpretações psicanalíticas e feministas. Tudo caminhos possíveis de interpretação, admito.
Mas, pela minha parte, ocorrem-me dois aspectos quando penso neste livro. Por um lado, a incapacidade das personagens lutarem pelo seu amor não obstante o mesmo ser enorme. E, por outro lado, o imenso potencial de destruição que o amor também pode carregar em si.  E que foi tão bem captado pela Lady Gaga!

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