segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Mongólia, Bernardo Carvalho

A vontade de visitar a Mongólia instalou-se em mim depois de ter lido o romance homónimo de Bernardo Carvalho. Não que a história escrita por este autor brasileiro pudesse figurar numa brochura de agência de viagens.
Para escrever este livro Bernardo Carvalho viajou para a Mongólia durante alguns meses, tendo beneficiado de uma bolsa da Fundação Oriente.
O resultado é um livro em que se contam várias histórias numa só. Um diplomata brasileiro colocado na China é enviado à Mongólia para procurar um jovem também brasileiro, filho de um importante empresário, desaparecido naquele território. A narração é feita a três vozes (a do narrador e a das duas personagens principais, através dos respectivos diálogos). Com uma escrita fluente e desenvolta, vamos acompanhando as impressões do diplomata brasileiro sobre a China e a Mongólia, bem como a sua percepção sobre as pessoas e acontecimentos que vai vivendo, em paralelo com as do desaparecido. Ao mesmo tempo, o autor apresenta-nos um fresco sobre essa terra misteriosa, dando-nos a conhecer os seus costumes e desafiando ideias feitas (por exemplo, depois de lermos as páginas que dedica à descrição de alguns dos aspectos do budismo local, desaparece a ideia de que esta é uma religião incontestavelmente pacífica …). Reconhecemos na sua escrita a estranheza que a diferença causa, o medo do desconhecido e a necessária abertura aos outros.
Comprei este livro num impulso, algo que me sucede com frequência em matéria de aquisições literárias e de que não me costumo arrepender. E também aqui dei por bem empregue o tempo. É uma história bem contada e que prende a atenção do leitor, da primeira à última página. Consegue fazer com que nos sintamos ao lado das personagens, partilhando dos seus receios e deslumbramentos e, em simultâneo, que compreendamos as dúvidas sentidas por cada um deles ao longo da acção. É nas últimas páginas que reside a chave do livro. E que não se diga que é inverosímel, pois todos sabemos que não nada mais invulgar do que a vida real.
Antes de ler este livro, a Mongólia era uma recordação distante das aulas de história, à mistura com Gengis Cão e Marco Polo. Agora aprendi a reconhecer o deserto Gobi e os Montes Altai (que surgem na fotografia acima) entre todos os desertos e montes que compõem o mundo.  
          De modo que um dia destes, acordarei em Ulaanbaatar, a capital da Mongólia que, fazendo jus à tradição nómada do país, já mudou vinte e nove vezes de localização. Espero conseguir dar com ela …
       Biblioteca de Editores Independentes, Novembro de 2007


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