sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O triunfo de Miss Austen, de Hampshire, Inglaterra

Jane Austen
Mark Twain odiava Jane Austen. Em mais de uma ocasião deu conta da aversão que lhe mereciam os seus livros. A dimensão da fúria pode ver-se numa carta por si escrita a W.D. Howwells em 1909, na qual, comparando um outro escritor a Jane Austen conclui: “To me his prose is unreadable – like Jane Austen’s. No, there is a difference. I could read His prose on salary, but not Jane’s. Jane is entirely impossble, It seems a Great pity that they allowed her to die a natural death.” (http://www.twainquotes.com/)
Parece que afinal Jane Austen pode não ter morrido de morte natural. O Público avançou há dias a notícia de que a escritora poderá ter sido envenenada com arsénico. A tese é sustentada por Lindsay Ashford escritora de policiais britânica que acaba de lançar … The Mysterious Dead of Miss Austen.
Esta tese, como todas as outras existentes quanto à causa da morte da escritora inglesa (até aqui sempre entendida como fruto de doença), será difícil de demonstrar. Mas o que é inequívoco é que o interesse pela pessoa que foi Jane Austen e a sua escrita está longe de ser um assunto morto e enterrado, como desejaria Mark Twain.
Pelo contrário, desde o final do século passado, a sua popularidade atingiu novos níveis. Para isso muito contribuiu a passagem de algumas das suas obras para o cinema e a televisão, alcançando novos públicos. Toda a sua obra foi reeditada, aí se incluindo títulos como Orgulho e Preconceito, Sensibilidade e Bom Senso (detestadas por Twain) ou Ema. 
Sob a capa de uma aparente leveza, os livros de Austen tratam um tema muito preciso e da maior importância para as mulheres da época. Limitadas do ponto de vista jurídico e no plano económico, o casamento era para as mulheres da pequena e média burguesia e nobreza o único caminho possível. Pelo que encontrar um marido adequado era tarefa a levar a cabo com todos os cuidados. Esta temática foi tratada por outras escritoras (por exemplo, por Edith Wharton em A casa da felicidade). Mas Austen tem um sentido de humor e vivacidade que são únicos. Talvez isso explique a sua popularidade. Um outro sinal da mesma são as inúmeras sequelas escritas sobre os seus livros, em particular Orgulho e Preconceito. Basta uma mera busca na Amazon para encontrármos livros sobre a vida das Meninas Bennett após os respectivos casamentos, a história das suas proles ou a perspectiva de Mr. Darcy sobre sobre o seu encontro e subsequente envolvimento com Miss Elisabeth Bennet. Claro que os puristas de Jane Austen nem sempre vêm com bons olhos estas sequelas (o que dizer de Pride, Prejudice and Zoombies?). Mas aos admiradores e admiradoras de Austen estão reservados outros engulhos (como o recente rumor de que era o editor da escritora quem realmente escrevia os livros).
Por mim, gosto da Jane. E acho que qualquer pessoa que consegue escrever os diálogos vivos e inteligentes que surgem nos seus livros (em particular, no Orgulho e Preconceito e Ema), não pode deixar de ser um bom escritor.
Mas Twain não está sózinho (como espero que possam ver em http://www.telegraph.co.uk/culture/books/3663852/Loving-Jane-loathing-Jane.html).
Ainda assim, e perante tanta e tão diversa publicidade, tem de concluir-se que Jane Austen é incontornável na literatura ocidental. E isso faz dela a vencedora, apesar das diatribes de Twain e dos que se lhe seguiram.

Sem comentários:

Enviar um comentário