sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Retrospectiva literária de 2011

O blogue brasileiro Pensamento Tangencial promoveu uma retrospectiva literária para o ano de 2011. A ideia é que cada participante escreva sobre os livros lidos durante 2011, identificando os mais que mais o marcaram em cada uma das categorias propostas.
Como poderão estar já a adivinhar yours truly inscreveu-se!
        Não posso responder a todas as categorias indicadas. Por exemplo, não costumo seguir literatura infantil. As minhas referências ficam ao nível de A princesinha de Frances Burnett e da Heidi de Joana Spyrou (os meus livros favoritos em criança). Também não leio literatura fantástica. E embora há anos atrás lesse muitos policiais, hoje isso é já raro.
          Por sorte, há muitas outras categorias. Além disso, a organização simpaticamente, diz aos participantes que podem responder ao que quiserem e como quiserem. Por isso, aqui vou eu!
          O livro que me fez chorar e que me fez perder o sono foi O filho da mãe, de Bernardo Carvalho. É a história de dois jovens que se conhecem na Rússia, tendo a guerra na Chechénia como pano de fundo. É uma história de amor, mas também de enganos e de omissões. E do preço que a vida acaba por impor a quem se omite. Arrebata-nos e deixa um travo amargo na boca. Porque sendo um produto da imaginação do escritor brasileiro, percebemos que há muitas histórias parecidas na vida real.
          Poderia ser esta a história de amor mais marcante do ano. Para além dela, também os protagonistas de Um dia de Dave Nichols me ficam na memória, por ilustrarem na perfeição o modo como o mais óbvio tantas vezes nos passa ao lado.
           O livro que mais me surpreendeu este ano foi O milagrário pessoal, de José Eduardo Agualusa. Está maravilhosamente escrito, com uma prosa poética encantadora. É uma homenagem à língua portuguesa em forma de mistério.
           Na indicação do clássico cuja leitura mais me marcou, vou fazer batota. Escolho não uma leitura, mas uma releitura - Ressurreição, de Leon Tolstoi.
           Todos estes livros me fizeram reflectir. Mas houve um outro que me marcou De olhos abertos, uma longa entrevista de Marguerite Yourcenar. A escritora recorda o seu processo formativo, não apenas como escritora, mas também como ser humano. Claro que se trata de uma espécie de auto-biografia, pelo que tem de se abordar com as cautelas que este género literário merece. Mas ainda assim, são páginas muito interessantes sobre os seus livros, a sua vida e as suas convicções.
          Na indicação do livro que mais me divertiu não posso fugir de Eça de Queirós, embora a proximidade de algumas das situações conduza por vezes a um riso algo comprometido. Mas ler as aventuras e desventuras do candidato a poeta Artur Corvelo na Capital conduz-me sempre a gargalhadas. O mesmo se diga de A Tragédia da Rua das Flores. Apesar do final trágico que o título deixa adivinhar o ridículo de algumas das personagens (para não dizer de todas) acaba por criar situações hilariantes.
O livro que me desiludiu este ano foi A boa vida de Jay McInermey, pelo fim abrupto da narrativa e porque o desenlace não era esperado pela forma como as personagens e a própria história foram sendo apresentadas.
O apocalipse dos trabalhadores de valter hugo mãe foi o livro de escritor português que mais gostei de ler este ano. Sobretudo por conseguir dar-nos a ver a beleza para lá da difícil condição de vida das personagens.  
Não consigo indicar o melhor livro que li em 2011. São tantos! Também não contabilizei os livros que li em 2011.
Em compensação não tenho dificuldade em escolher a frase que me marcou este ano. Pertence a Séneca e é um guia para todos os dias da nossa vida: a coragem conduz às estrelas, o medo à morte. Nestes tempos de crise generalizada (económica, social e moral), esta frase veio-me vezes incontáveis à mente.
A última questão colocada na retrospectiva literária é uma antevisão do ano literário.
Nunca estabeleci para mim metas de leitura e acho as listas sempre perigosas. Por isso, vou desenhar esta meta de forma muito ampla, para evitar desilusões. A verdade é que os compromissos já assumidos nas comunidades de leitores a que pertenço levam-me a eleger como objectivos para já ler os Buddenbrook e a Montanha Mágica, de Thomas Mann e o Cemitério de Praga, de Umberto Eco. No demais, deixo as minhas leituras ao sabor do improviso!
Para ver as escolhas de outros participantes na retrospectiva:

Sem comentários:

Enviar um comentário