segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Conversas de hora de dormir

Umas semanas antes do Natal folheei um livro chamado “Vai dormir f***-se!”. Narra a história de um progenitor estafado que após um dia de trabalho tenta adormecer o seu rebento. O que não é tarefa fácil, dando lugar a sucessivos desabafos. De acordo com o que consta na capa é um livro para pais com sentido de humor. Na minha opinião, após ler as quatro ou cinco primeiras páginas, face às sucessivas repetições das palavras que fazem o título, não há sentido de humor que resista.
Lembrei-me desse livro este sábado, quando li conversa com o André, o primeiro dos textos reunidos em Abraço, de José Luís Peixoto.
Também aqui um pai tenta convencer o filho a deitar-se, esbarrando com a proverbial resistência infantil.
“- Porquê, pai?
- Porque cada dia é sempre diferente dos outros, mesmo quando se faz aquilo que já se fez. Porque nós somos sempre diferentes todos os dias, estamos sempre a crescer e a saber cada vez mais, mesmo quando percebemos que aquilo em que acreditávamos não era certo e nos parece que voltámos atrás. Nunca voltamos atrás. Não se pode voltar atrás, não se pode deixar de crescer sempre, não se pode não aprender. Somos obrigados a isso todos os dias. Mesmo que, às vezes, esqueçamos muito daquilo que aprendemos antes. Mas, ainda assim, quando percebemos que esquecemos, lembramo-nos e, por isso, nunca é exactamente igual”.
Gosto mais desta forma de colocar as crianças na cama. Aliás, no sábado comprei o livro por causa deste texto. E senti-me particularmente feliz por os meus pais nunca me terem tentado adormecer com recurso a incentivos vernáculos. Apesar de eu ter sido uma daquelas crianças que inventava tudo, mas mesmo tudo, para me deitar o mais tarde possível.



1 comentário:

  1. oii!! obrigada pela visita no todo dia uma historinha , meu primeiro comentário!! eeeee!!!


    beijos,

    Gil

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