sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Jorge de Sena (I)



Jorge de Sena, um dos maiores (e não devidamente recordado) poeta português dito por Mário Viegas.
O poema é inspirado pelo quadro homónimo de Goya.
Com grande clareza e serenidade Sena põe em relevo o custo do sacrifício individual em prol dos feitos colectivos.
Valerá a pena?
É uma pergunta que não se compatibiliza com respostas “de cruzinha”, sim ou não.
Mas Jorge de Sena conclui, e nisso sigo-o:
“Nenhum juízo final pode dar-lhes o instante que não viveram, o objecto que não fruíram, aquele gesto de amor que fariam “amanhã”.
E, por isso, o mesmo mundo que criemos
nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa que não é nossa, que nos é cedida
para guardarmos respeitosamente
          em memória do sangue que nos corre nas veias
          da nossa carne que foi outro, do amor que outros não amaram porque lho roubaram.”

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