quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O lado negro da força



A tristeza é um estado de espírito muito mal visto. Na lógica ilógica da nossa época, mesmo quando o mundo nos cai em cima, há sempre uma lição a retirar, um amanhã que canta. Não partilho desta visão.
Às vezes acontecem coisas más apenas porque sim. Não há nenhum motivo para as mesmas ocorrerem e não são a preparação para um futuro resplandecente.  
Ainda assim, o lado negro tem uma função, não social, mas individual. Sem ele, como entender Marguerite Duras ou Vergílio Ferreira? Sem a perda, como sentir Les Adieux de Beethoven? Sem a raiva, como compreender Medeia?
Temos de viver a escuridão. Ela faz parte de nós. Mas não como Otelo, o mouro de Shakespeare, dominado e derrotado pelo ciúme.
Parece-me que  escuridão tem de ser vivida pelo que é, não de forma aldrabada, como se fosse um prenúncio de felicidade garantida. Não nos deixemos, porém, subjugar por ela. Atravessemo-la com a coragem possível e de olhos postos no desejo de luz. Afinal como também cantou Bebel, “a tristeza tem sempre uma esperança de um dia não ser mais triste.”

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