segunda-feira, 16 de abril de 2012

Um monstro sanguinário ou um imperador visionário?

O remorso de Nero, pintado por J.W. Waterhouse (1878)

A imagem que tinha de Nero foi construída com base em Quo Vadis, romance de Henryk Sienkiewick, que valeu a este escritor polaco o Prémio Nobel da Literatura em 1905. O livro foi adaptado ao cinema no filme do mesmo nome, dirigido por Melvin Leroy. Ainda hoje é um dos filmes clássicos que as televisões emitem, designadamente por alturas da Páscoa. Nero é aí retratado como um déspota com aspirações artísticas que manda incendiar Roma para se inspirar na escrita de um poema épico.
A verdade, porém, é que não só Nero nada teve a ver com o incêndio de Roma, como, perante ele, actuou de forma pragmática, tomando medidas eficazes para socorrer os habitantes da cidade e para a subsequente reconstrução desta.
Essa revelação é um dos motivos pelos quais vale a pena ler “Nero – monstro sanguinário ou imperador visionário” (editado pela Texto & Grafia). O autor, Joel Schmidt, é um historiador e romancista francês, com mais de quarenta livro publicados. Este livro é uma obra curta, mas com muita informação. Schmidt contextualiza a vida de Nero e põe em relevo as características da sua personalidade, bem como as dificuldades concretas com que se foi debatendo ao longo da vida. A obra não isenta Nero de algumas das suas decisões políticas mais controversas (como a morte da sua mãe e da sua esposa), mas também permite vislumbrar um homem inteligente e com um projecto político para o Império. Sobretudo, põe fim ao popularizado retrato simplista deste Imperador como um louco.

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