quarta-feira, 16 de maio de 2012


Matisse
         "A arte livra-nos ilusoriamente da sordidez de sermos. Enquanto sentimos os males e as injúrias de Hamlet, príncipe da Dinamarca, não sentimos os nossos – vis porque são nossos e vis porque são vis.
        O amor, o sono, as drogas e intoxicantes são forma elementares da arte, ou antes, de produzir o mesmo efeito que ela. Mas o amor, sono e drogas, tem cada um a sua desilusão. O amor farta ou desilude. Do sono desperta-se e, quando se dormiu, não se viveu. As drogas pagam-se com a ruína de aquele mesmo físico que se serviram para estimular. Mas na arte não há desilusão porque a ilusão foi admitida desde o princípio. Da arte não há despertar, porque nela não dormimos, embora sonhássemos. Na arte não há tributo ou multa que paguemos por ter gozado dela."
                                                
                                                         Bernardo Soares dixit, Livro do Desassossego 

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