quinta-feira, 10 de maio de 2012

Não há poetas a mais (I)



O fabuloso destino de Amélie Poulain

Como em todas as actividades, também a vida de uma bloguista, ainda que amadora, tem as suas dificuldades. Mas também há horas felizes. Como a de hoje, que me permite revelar os poemas de Susana Castelão Ferreira. Conhecia-a por motivos profissionais e de repente … descubro que é também poetisa.
Os poemas da Susana são como o seu nome, flor de lírio em hebraico. Delicados, doces, com uma simplicidade apenas aparente. Neles irrompe a vontade de existir e não apenas de se deixar viver.
 Aqui ficam dois dos seus poemas.

         nos teus olhos a calma do céu
          nos teus lábios o calor da terra
          nas tuas mãos todo o mundo
          (o meu mundo)
          em ti me encontrei
          e em ti me perdi
          nas tuas palavras a alegria perdida
          nos teus gestos o grito da despedida
          pode o céu trovejar e a terra arrefecer
          o mundo perdeu o seu lugar
         (o meu mundo)
         (o meu lugar)
         em ti fui e em ti deixei de o ser 


ilusões, ilusões....!
          não passam de mentiras
          mascaradas de alegrias

         agora que sei
         que foi tudo um nada
         que nunca existiu

         agora que sei
         que o tudo não aconteceu
         e que apenas o nada restou

        agora que sei
        e tudo e nada aprendi...
        que me interessa tudo o mais?

        pois então se quis (se quero?)
        se vivi (verdade ou mentira?)
        que me interessa tudo o mais?

        que venham as ilusões!
        que venham as mentiras!

        que eu com alegria me mascaro
        e com alegria me engano

       e no final de tudo...
       talvez ganhe mais do que nada

                              

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