sexta-feira, 1 de junho de 2012

Para assinalar o dia da criança

Peter Pan


De tantos dias comemorativos, o único cuja pertinência não discuto é o de hoje, em que se celebra a assinatura da Convenção dos Direitos da Criança. Para lembrarmos ao menos um dia (já que há quem não tenha o saudável hábito de se recordar ao longo de todo o ano) as nossas crianças, as crianças dos outros e a criança que fomos e que tantas vezes esquecemos.

Era uma vez um conto de fadas. Estávamos
na terra do sonho; o castelo tinha torres
que chegavam à luz; e a noite quente do verão
entrava pelas janelas e tapava-nos num aconchego de mãe. Neste sonho, não havia
nem ogres nem lobos maus; e um barco
branco esperava por nós, no porto da cidade
para nos levar para o oriente onde o sol
nunca se põe. Nenhum de nós queria acordar
para nunca se esquecer deste sonho; e mesmo que
acordássemos, não iríamos abrir os olhos,
para não ver o que nos esperava, ao sair
do casula dos sonhos. Mas se acordássemos,
e abríssemos os olhos, e víssemos que tínhamos
saído da noite para entrar no dia, que já não é
um conto de fadas, podíamos dizer
uns aos outros: “Este é o sonho de onde temos de acordar, para voltar ao conto de fadas
onde a noite nunca se põe.”

                                                Conto de Fadas, Nuno Júdice, A matéria do poema

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