segunda-feira, 11 de junho de 2012

Um pensamento matinal de Marco Aurélio

Marco Aurélio nos Museus Capitolinos, Roma
Imperador, guerreiro e filósofo, é certo. Mas aparentemente também Marco Aurélio tinha dificuldades em se levantar de manhã. Encarando o assunto filosoficamente, deixou-nos este pensamento, ideal para enfrentar mais uma segunda-feira:

"De manhã, quando te custa levantar, socorre-te deste pensamento: “Acordei para fazer trabalho de homem. E hei-de ficar de mau humor porque vou realizar aquilo para que fui criado e constitui o fim da minha vinda ao mundo? Ou acaso fui feito para ficar deitado, sem bulir, no quentinho dos cobertores? Isso é que era bom!” Mas foste tu feito para a madraçaria? Ao fim e ao cabo foste feito para a calaçaria ou para fazer qualquer coisa de jeito?
Não vês que as plantas, os pássaros, as aranhas, as abelhas cumprem as tarefas que lhes são próprias e contribuem pela sua parte para o bom andar do mundo? E não queres fazer tu o que convém ao homem? Não te avias para a tarefa que é conforme à tua natureza? “O descanso também é preciso”. De acordo, mas a natureza pôs limites ao repoiso; e também põe limites na comida e na bebida. Mas tu, olha lá, não passas esses limites indo além do que seria justo? Quando se trata de agir, outro galo canta, ficas muito aquém. Fazes isso porque te não amas a ti mesmo. Caso contrário gostarias do que intima a natureza, do que insinuam os seus fins. Outros, afeiçoados a suas artes, consomem-se nos trabalhos que lhes dizem respeito, sem se banhar nem comer. E tu tens em menos preço a tua natureza que o cinzelador a sua arte, o dançarino a sua dança, o avaro o seu dinheiro, o vaidoso a sua gloríola? Todos esses, quando a paixão os espoereia, não comem nem dormem; o que querem é que cresça e avulte o objecto dos seus esforços. Acaso te parecem inferiores e ser menos dignas de cuidado as acções feitas em prol do comum?"

Pensamentos, Marco Aurélio, Biblioteca de Editores Independentes, pág. 49



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