![]() |
| Fresh Mind Matters |
Uma das poucas excepções à minha natureza cautelosa está no domínio livreiro. Aqui não tenho contemplações e enfrento o desconhecido com um sorriso nos lábios.
Talvez por isso ao longo dos anos
fui recolhendo diversos livros de escritores que por motivos que me ultrapassam
são desconhecidos do “grande público”. Não direi que são génios literários, mas
o que é certo que é gostei dos seus livros e se apanhasse novas obras não
hesitaria em comprá-las. Encontrei estes livros nos sítios mais diversos: em
livrarias/papelarias de província, em feiras do livro e mesmo em supermercados.
Dentro de um registo intimista,
gostei do livro de Ana Casaca, A vontade
de regresso, publicado pela Sopa de Letras. Não conheço esta escritora e nunca mais encontrei qualquer outro exemplar deste livro. Mas
a história de Teresa cativou-me e deu-me umas horas agradáveis de leitura. O
mesmo se diga de Um animal de pele
branca, imaculada de João Camilo, publicado pela ovni. Vi na badana do
livro que este autor tem vasta obra publicada, entre prosa, poesia e ensaio.
Este conjunto de contos que comprei numa feira do livro na província assenta
sobretudo em dois temas essenciais: o amor e a mortalidade. Não é matéria
fácil, é certo. Mas estão escritos de uma forma depurada (simples e elaborada,
ao mesmo tempo). Em alguns perpassa tristeza e desespero, noutros uma nota
humorística. Em todos, a consciência da fragilidade do sentir humano.
Num outro estilo, também gostei de
ler A justa medida de Luís Ene,
publicado pela Porto Editora na sequência do autor ter sido o vencedor do concurso
Novos Talentos. E há uns anos atrás, numa passagem por Coimbra, comprei um
relato da viagem pelo Norte do Paquistão e Estrada do Karakorum escrito por Ana
Isabel Mineiro. O livro chama-se Onde os
rios têm marés (publicado pela via óptima) e para além de uma escrita
detalhada tem um conjunto de fotografias lindas tiradas pela autora. Mencionei apenas autores
portugueses. Mas o que deixei escrito é válido para tantos escritores
estrangeiros, cujos livros acabam por integrar as prateleiras dos saldos, por
razões desconhecidas.
Claro que
também já tive aventuras mal sucedidas. Em abono da verdade devo dizer que
essas infelicidades aconteceram com autores desconhecidos publicados por
editoras com alguma capacidade de distribuição. O que me levou a concluir,
talvez de forma pouco caridosa, que tinham sido publicados por estarem no local
certo na hora certa (felizmente, só uma vez).
Acima de
tudo, o que quero pôr aqui em relevo
é que vale a pena arriscar comprando um livro escrito por alguém de quem
nunca ouvimos falar e que muitas vezes surge mesmo em edição de autor. Sair do
hábito, do best-seller ou mesmo do
clássico depurado por séculos. Procurar nas prateleiras mais recônditas ou nos
caixotes dos saldos. Como dizem os ingleses,
live a little! .jpg)





