segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A culpa é das estrelas, John Green

“O mundo não é uma máquina de satisfazer desejos”. Esta frase é repetida pelas personagens do livro de John Green, A culpa é das estrelas.
Hazel e Augustus são dois adolescentes iguais a tantos outros. São irónicos, disputam a sua autonomia com os pais, entretêm-se com vídeo – jogos, trocam SMS. Frequentam também, a contragosto, um grupo de apoio a adolescentes com cancro, doença de que ambos padecem.
        Se tivesse que sumariar o tema do livro, diria “é a história do amor de dois adolescentes cancerosos”. Palavras simples, objectivas e cruéis. Não em si mesmas, mas porque embora empregues para descrever uma história ficcional, não se ignora que certamente se aplicam como uma luva a situações reais.
        O tema do livro (sempre presente enquanto se desenrola a história) é indubitavelmente pesado. Todos sabemos que vamos morrer, claro. Mas para Hazel e Augustus o confronto com a sua mortalidade chega demasiado cedo.
        John Green é escritor de livros juvenis. Esta obra tem evidentes sinais disso mesmo. A narradora (Hazel) é deliciosamente irónica e grande parte das conversas que tem com Augustus e Isaac, ilustram esse sentido de humor, mesmo no modo como encaram a doença e a forma como são tratados por força dela (só os adolescentes para inventarem um expressão como “esmola a canceroso”). Do mesmo modo, as cenas em que é descrita a sua história de amor com Augustus são típicas dos romances destinados ao público adolescente.
        O grande mérito do livro, a meu ver, é a sua capacidade de descrever o quotidiano destes adolescentes, o modo como vivem a doença e como convivem com a perspectiva de uma morte próxima. É precisamente a este propósito que são escritas as páginas mais comoventes deste livro. Em alguns momentos foi-me impossível não sentir as lágrimas nos olhos. Não se trata de lamechice, mas do reconhecimento da injustiça da situação. E do reconhecimento da inexistência de alguém é quem poder culpar pela mesma.
        O peso do tema poderia afastar os leitores. Mas não é isso que tem estado a suceder um pouco por todo o mundo. Na verdade, há já planos para passar esta história ao cinema, o que irá ser feito pelos produtores de Crepúsculo. A culpa  das estrelas é muito, muito melhor do que os livros de Stephenie Meyer, embora deva admitir que só li os dois primeiros volumes da saga. Por isso, é bom que o cinema se tenha interessado por uma história que, embora simples, confronta o leitor com questões inerentes à condição humana.
A culpa é das estrelas ultrapassa o domínio da literatura juvenil, acabando por apelar a um público mais vasto. E faz-nos pensar que quando Plauto disse “morrem jovens aqueles a quem os deuses amam” teve, no mínimo, um momento profundamente infeliz.

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