segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O Judeu, Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco
Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco nasceu em Lisboa, a 16 de Março de 1825 e morreu a 1 de Junho de 1890. Na história da literatura portuguesa é um dos expoentes da romantismo e a sua própria vida foi marcada por momentos dramáticos e intensas paixões. Uma delas o seu amor por Ana Plácido, à época casada, facto que os conduziu a ambos a uma temporada na prisão.
Foi com base nessa experiência que Camilo escreveu as suas Memórias do Cárcere.
Foram muitos os livros escritos por Castelo Branco, sendo a sua qualidade desigual. À semelhança de outros grandes vultos da literatura mundial, escrevia muitas vezes sob a pressão da necessidade de obter dinheiro. O que ganhava em produtividade, perdia, por vezes, em qualidade dos enredos.
Amor de Perdição com o seu infeliz triângulo amoroso (Simão, Teresa e Mariana), é a sua obra mais conhecida. Não sei qual será hoje a ideia dos adolescentes que têm de ler Camilo. Mas a mim, já na altura, toda a história me parecia um pouco excessiva.
Daquilo que já li de Camilo, a obra que me marcou mais foi, contudo, O Judeu, um romance histórico publicado em 1866. A acção decorre entre os séculos XVII e XVIII, passando por Portugal, Inglaterra, Itália e Brasil. A inspiração da obra é a vida do dramaturgo português, António José da Silva, a quem é dedicada. António José nasceu no Rio de Janeiro, tendo vindo para Portugal ainda criança. Estudou Direito em Coimbra, mas foi como comediógrafo que se celebrizou. A sua peça mais conhecida é As guerras de Alecrim e Manjerona.
A sua vida foi marcada pela perseguição e tortura às mãos da Inquisição, tendo morrido num auto de fé em Lisboa a 19 de Outubro de 1739. Para além de Camilo, a sua trágica vida inspirou outros autores, como Bernardo Santareno.
O Judeu é composto por dois volumes. No primeiro conta-se a história de Jorge de Barros, neto Luís Pereira de Barros, contador-mor dos contos do reino. A filha de Jorge, Leonor, casa no segundo volume com António José da Silva. O tema central de ambos os volumes é a actuação da Inquisição em Portugal e o modo como o Santo Ofício foi utilizado para ir ao encontro de outros interesses que não os da fé. Mais ainda, como em quase toda a obra camiliana, o tema é a luta entre o Bem e o Mal.
Na nossa literatura talvez só Camilo consiga descrever com tanta naturalidade quadros tão excessivos: de um lado personagens eivadas de astúcia e maldade, do outro lado, gente de carácter nobre, balizado pelos valores da honra e da amizade. O Judeu é um romance trágico, que apela aos nossos melhores valores na condução da vida quotidiana, mas é também um fresco sobre um período dramático da história de Portugal, ilustrando como agia a Inquisição entre nós.

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