sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A estante dos outros (II)

Uma das estantes de Paulo, fotografada por ele próprio

          
             Bibliófilo convicto, que vasculha com igual empenho velhas livrarias esquecidas e catálogos on-line, com uma biblioteca espalhada pelos quatro cantos do Mundo, o meu amigo Paulo, reserva algumas surpresas. Como a escolha das três obras que mais o marcaram, onde aparece Gabriel Garcia Marquez ou a sua actual escolha literária. Só se lhe pode desejar tempo e disposição para ler os milhares de volumes que já adquiriu e os que ainda hão-de vir, pois o Paulo tem no tsundoku o seu desporto de eleição…

        
    Qual a tua primeira recordação literária?
           A minha primeira recordação literária data da época em que lia livros escritos sobre Os cinco, pela Eny Blyton. Devia ter sete/oito anos.
          Indica três livros que te tenham marcado e porquê.
            a) O processo, da autoria do Kafka
Creio que este livro – longe de ser uma auto-biografia – demonstra bem os meandros que marcaram a vida psíquica de Kafka. Arrisco uma opinião, segundo a qual ter-se-á tratado igualmente da história de uma época conturbada para quem, como Kafka, estava dividido entre duas culturas (não nos esqueçamos que ele era judeu e escreveu em alemão). Uma obra de difícil interpretação. Uma obra que devia ser relida com um intervalo de dez anos, na medida em que penso que o respectivo leitor teria a possibilidade de perceber melhor o significado.
         b) Os miseráveis de Vitor Hugo
Não se trata de um simples romance.
A batalha de Waterloo está brilhantemente relatada.
A pobreza está muito bem caracterizada.
É igualmente a França e a sua história que Vítor Hugo pinta.
Trata-se de um romance que valeria a pena ler duas vezes antes de morrer.
      c) Crónica de uma morte anunciada, escrito pelo Gabriel Garcia Marquez
     Na minha perspectiva esta obra terá sido a mais bem escrito de garcia Márquez. A obra retrata a fatalidade humana, bem como a impossibilidade de travar um destino que nos aguarda. O autor procura demonstrar que esse destino já estava à partida definido. 
         Tens hábitos ou rituais de leitura?
         Tenho hábitos de leitura, ainda que seja uma pessoa dispersa.
       Existe algum livro que te recusasses a ler, mesmo que te pagassem o teu peso em ouro?
Não guardo em memória nenhum livro que me recusaria a ler, mesmo a troco de uma elevada recompensa ou gratificação.
No entanto, tenho preferência por autores clássicos ou conhecidos. Em matéria de autores não conhecidos, aceito ler as respectivas obras, caso me sejam recomendadas por pessoas que já as leram e as apreciaram.
Se tivesses três meses de férias sem limitações ou problemas de qualquer espécie que livros escolherias para ler?
     Caso dispusesse de três meses para me dedicar à leitura, render-me-ia à leitura do “roman fleuve” (vinte volumes) escrito por Emile Zola, isto é, os Rougon Macquart. Estamos perante uma lição de história que versa sobre o segundo Império francês e que analisa a sociedade francesa.
           O que estás a ler agora?
     Neste momento estou a ler “A terapia” de David Lodge. Trata-se de um livro divertido, caracterizado por uma escrita simples. Contudo, apesar de ser uma leitura leve, é profundo o conteúdo e as ideias que o autor transmite.

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