segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A poem a day keeps the doctor away



Escrever poemas à amada é, parafraseando o nosso Dâmaso, muito chique. Mas, como ele mesmo sentiu na pele em A Tragédia da Rua das Flores não é tarefa ao nível de qualquer um. Por isso, é sempre de admirar quem conjuga o amor com o talento poético, como foi o caso de Catulo, poeta romano apaixonado por Lésbia.
Aos demais, resta pedir emprestado um poema, de preferência indicando a autoria, para não haver mal-entendidos, nem desilusões.



Vivamos, minha Lésbia, e amemos
e os murmúrios dos velhos mais severos
dêmos-lhes a todos o valor de um centavo!
Os sóis podem extinguir-se e voltar:
mas nós, uma vez que se extingue a breve luz do dia,
temos de dormir uma só noite, para sempre.
Dá-me mil beijos, depois um cento
e mais mil, depois outro cento.
depois outros mil, e mais cem.
Em seguida, quando juntarmos muitos milhares,
misturamo-los, para que não saibamos
ou nenhum malvado possa invejar-nos,
quando souber que os beijos foram tantos.

trad. Maria Helena da Rocha Pereira, Romana, págs. 93/94, Coimbra, 2000



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