quinta-feira, 29 de novembro de 2012

       
        Da propaganda soviética fez parte o apelo à leitura. No primeiro cartaz lê-se “Estima os livros, amigos fiéis em viagem e no trabalho” (vi a tradução em inglês, não falo russo). Claro que não eram quaisquer livros. Apenas aqueles que permitissem a quem os lia compreender e contribuir para a “vitória do proletariado”. Basta olhar para os cartazes para perceber que não havia ali espaço para expansões individuais. A alma era um luxo e poesia um crime contra o proletariado.
        Foram muitos os escritores que se viram confrontados com a impossibilidade de escrever, porque nada queriam dizer sobre a revolução (ou se calhar queriam, mas não usando palavras aprovadas pelo PCUS). Entre tantas obras literárias sobre esse tema, lembrei-me há dias do Doutor Jivago, de Boris Pasternak. A esse nem o facto de ser médico o salvou de também ser poeta. Como a sua conversa com Pasha Antipov deixa claro: "A vida pessoal está morta na Rússia. A História matou-a". Estava enganado, claro. Mas o erro saíu caro a muitos.








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