segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Divergências Irreconciliáveis

        

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       A semana passada soube-se que uma mulher inglesa pediu o divórcio, depois de ter lido As cinquenta sombras de Grey. Antes, inspirada por tal leitura, tentara introduzir mudanças no panorama sexual do seu casamento, iniciativa sem sucesso, por falta de interesse do marido.
            Num mundo com tantos divórcios, este ganhou destaque na Imprensa por ter na sua base um livro.
            A notícia toca numa questão com que todos os que têm alguma imaginação e gosto pelos livros (uma combinação explosiva, reconheça-se) se deparam. Como não comparar os relacionamento que nos são dados a viver com os modelos literários que formaram o nosso gosto e sensibilidade?
            A Cinderela e o Príncipe não têm aqui lugar. Mas depois de conhecer Fitzwilliam Darcy como suportar os membros do sexo masculino que se melindram com o mais ténue sinal de ironia nuns lábios femininos? Depois de testemunhar a inevitabilidade da paixão de Ana Karenina como aceitar reconduzir a questão amorosa ao “vamos ver o que isto dá?”. E depois de terminar a leitura da história de Blimunda e Baltazar como aceitar o “mais ou menos” como regra de vida?
            Cada um terá a sua resposta, dependendo da sorte que a vida lhe reservou e das leituras que fez. Para algumas pessoas estas questões nem farão sentido.
            De qualquer modo, a mim, não me surpreende nada que um livro esteja na base de uma separação conjugal. Espanta-me é que esse livro seja As Cinquenta Sombras de Grey. É que pensando bem no assunto o Orgulho e Preconceito ou Os Cadernos de Dom Rigoberto têm muito mais potencial para provocar um divórcio. Por divergências absolutamente irreconciliáveis.

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