sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

O que nos faz felizes por esse mundo fora, Carol Graham


Anonymous Art Revolution

Já Marguerite Yourcenar deixou escrito que a melhor leitura é a releitura. E se isso é verdade em relação à ficção e à poesia, não deixa de ser igualmente aplicável a ensaios e obras de divulgação.
          Talvez por isso, e porque penso que a leitura não serve para nos isolar do mundo, mas antes para melhor o compreendermos, por estes dias reli O que nos faz felizes por esse mundo fora, um estudo sobre economia da felicidade, de Carol Graham.
     A autora está profissionalmente ligada a Brookings Institution (organização não governamental norte-americana que se dedica à pesquisa e educação nas áreas das ciências sociais, em particular, economia, política externa e desenvolvimento) e tem carreira académica junto da Universidade de Maryland. Além disso, a sua actividade profissional foi já exercida junto do FMI e do Banco Interamericano para o Desenvolvimento. Aliás, apesar de estarmos perante um livro destinado ao grande público, a sua leitura não é fácil para quem não esteja habituado a lidar com estatísticas e subsequente interpretação destas.
   O tema da busca da felicidade tem ocupado uma vasta galeria de pensadores ocidentais, desde a Grécia Antiga até à actualidade. Dos que identificaram a vida feliz com a eticamente correcta, passando pelos que entroncaram a felicidade em projectos de contornos hedonistas, um aspecto comum a todos é o centrarem a discussão numa óptica individual.  O que fazer para cultivarmos o nosso pequeno jardim, para parafrasear Voltaire.
        O livro de Carol Graham adopta uma perspectiva diferente e muito actual, num momento os fundamentos do Estado Social de Direito, são objecto de discussão, sendo por vezes apresentados como um capricho ou um luxo de que teremos de prescindir.Graham assenta a sua análise, não na perspectiva das características inatas ou culturais do ser humano (embora não negue a importância destes elementos), mas no relevo assumido pelas condições macroeconómicas (desenvolvimento económico, desemprego, saúde ou educação) na felicidade das populações.
É igualmente estudado o papel na vida mais ou menos feliz de factores como a liberdade política, a corrupção ou a criminalidade. O enfoque que é dado a estes temas assume ainda maior interesse por o estudo ter em conta dados recolhidos em países muito diversos entre si (por exemplo, a Afeganistão, a Rússia e várias nações da América Latina). A interpretação dos resultados não é, como a própria autora salienta, fácil ou unívoca. Constata-se, porém, a existência de um grau de coerência nas determinantes socioeconómicas e demográficas da felicidade (cfr. pág. 115). A autora dedica ainda um capítulo à importância que os estudos sobre a economia da felicidade devem ter na hora de tomar opções políticas. E também aqui há matéria muito convidativa para todos nós, cidadãos e cidadãs, reflectirmos. Para ver se conseguimos o tão almejado final feliz.

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