segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Retrospectiva literária 2012






E pronto, chegámos ao final do ano! Não sei que o que vos parece, mas para mim, 2012 passou num ápice!
O blogue Pensamento Tangencial leva a cabo, pela terceira vez, a retrospectiva literária. Vários bloggers passam em revista as suas escolhas em matéria de livros.
O ano passado participei e foi uma boa oportunidade de descobrir novos blogues e outras escritas. E cá estou outra vez! Embora não tenha lido livros para preencher todas as categorias indicadas, aqui vai!
A maior dificuldade foi escolher o clássico que mais marcou. Isto porque li vários ao longo do ano e há seguramente um motivo para tais livros estarem inseridos nessa categoria. Para mim, um clássico é um livro intemporal, que lemos e relemos várias vezes ao longo da vida, descobrindo sempre novas interpretações Por isso, tenho de escolher A pele de chagrém de Honoré de Balzac. Já o tinha lido há quase vinte anos, tendo sido marcante. Este ano reli-o e fiquei muito feliz por se ter mantido intacta a impressão que me tinha causado. Por vezes, a releitura de um livro que nos marcou traz alguma desilusão. Isso sucedeu-me com O fio da navalha, de Somerset Maugham. Tinha gostado muito de o ler na adolescência. Mas quando o reli há dois ou três anos, não consegui encontrar os elementos de ligação que tanto me haviam tocado. Por isso, hesitei quanto a reler A pele de chagrém. Mas ainda bem que o fiz. Em matéria de clássicos não posso deixar de referir ainda o Livro de Desassossego (que tenho vindo a ler gradualmente ao longo dos anos) e As cartas a um jovem poeta de Rainer Maria Rilke.
De algum modo, todos os livros suscitam reflexões. Mas na categoria “livro que me fez reflectir” tenho de indicar O sentido da vida de Susan Wolf. A autora é uma das mais reputadas filósofas norte-americanas. Escreve com clareza e abertura de espírito sobre os pressupostos de uma vida bem vivida. Posso não concordar com algumas das suas ideias, mas isso não obsta a que as reconheça como pistas de reflexão e admire a sua qualidade intelectual.
O livro que me fez rir foi Os dias do arco-irís de António Skarméta. Passa-se durante o período final da ditadura de Pinochet no Chile o que, à partida, afasta o riso. No entanto, o narrador é um adolescente que, no meio das dificuldades inerentes ao contexto político em que vive, está apaixonado por uma colega de liceu. Este facto introduz alguma leveza na narrativa e faz-nos sorrir com as peripécias do romance.
Na categoria “livro que me fez chorar”, posso este ano indicar A culpa é das estrelas, de John Green, uma história de amor entre dois adolescentes marcada pela doença e pela morte. A frase "o mundo não é uma máquina de conceder desejos" é de uma enorme dureza, mas bem justificada pela injustiça da morte de jovens, com tanto que fica por viver.
Outra das categorias propostas pela retrospectiva literária diz respeito a “livro de fantasia”. Este ano li Heróis e maravilhas da Idade Média de Jacques Legoff. Não é um romance, mas explica a origem de figuras como o unicórnio e Robin dos Bosques que fazem parte do imaginário da cultura ocidental. É, pois, uma antecâmara da literatura de fantasia.
 Quanto ao livro que me surpreendeu, a escolha só pode ser uma – A minha história com Bob, de James Bowen. Um livro sobre a amizade entre um homem e um gato que, de forma aparentemente ligeira, nos fala sobre a solidão que existe na vida das grandes cidades e a importância que os pequenos gestos podem ter. Como escrevi na altura, não seria uma escolha literária óbvia para mim. Certo é que me aguardava uma surpresa.
Na retrospectiva é ainda pedida a indicação de um livro que me tenha decepcionado. Não me ocorre nenhum. Talvez porque quando um livro não me cativa, deixo de o ler. Ou não vale a pena ou ainda não chegou o momento desse encontro literário ter lugar.
            Quem frequenta este blogue perceberá que não posso deixar de introduzir uma categoria que não consta do questionário da retrospectiva: o da poesia. De facto, as prateleiras dedicadas à poesia nas minhas estantes estão cada vez mais carregadas. Este ano, para além dos clássicos (Sophia de Mello Breyner, Fernando Pessoa e suas variações, Eugénio de Andrade), foi ainda marcado pela leitura de Joaquim Pessoa (descoberto através de uma amiga), Nuno Júdice, e.e.cummings e Jorge Sena (um poeta a que volto sempre). E, claro, por esse grande momento que foi publicar os poemas de Susana Castelão Ferreira e Filipa Albuquerque, também minhas amigas, aqui no blogue.
            Não sei quantos livros li em 2012. E não tenho meta para 2013. Espero ler, ler muito e descobrir bons autores e boas ideias! E também reler, um acto revolucionário, nesta era da velocidade!

2 comentários:

  1. Dos livros que você citou só li A culpa é das estrelas e a maioria da sua lista eu não conheço

    bjos e bom ano novo

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  2. Carla, gostei da sua retrospectiva, sobretudo na parte dos clássicos. Ler clássicos é muito bom e aqui suas leituras são dicas para mim, já que não li estes que você citou. Parabéns pelo blog, é muito bonito, e obrigada pela visitinha e comentário no meu blog. Beijos.

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