segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Escolher um clássico para 2013


            Se Dezembro é o mês dos balanços, Janeiro é o período dos recomeços.
Talvez por isso, enquanto o espírito e o coração ainda acalentam objectivos de renovação e mudança, Le nouvel observateur, lançou um número especial, composto por duas revistas, dedicado à biblioteca ideal (podem ver aqui) O primeiro número abrange o período compreendido entre 2000 A.C. e o século XVIII.
Pelas páginas da revista vão passando obras muito diversas, mas que têm em comum terem sobrevivido à passagem dos séculos. Podem discutir-se os critérios subjacentes à lista, claro. Mas é inequívoca a vontade de sair do habitual cânone ocidental. Os Mahabharata, o Livros dos Reis e As Mil e Uma Noites são disso exemplo. Ainda assim, há um certa preponderância de nomes franceses ...
São muitas e irresistíveis as sugestões de leitura que ali se encontram. Todas as obras são anteriores ao período moderno. Por isso, os heróis escapam aos sentimentos de tédio, frustração e desilusão existenciais característicos de boa parte da literatura do século XIX em diante. Estão também longe dos problemas da vida prática dos nossos dias.  
       O Decamaron de Bocácio ou o Romance de Gengi, de Murasaki Shikibu, são bem capazes de ser o antídoto perfeito para o cinzentismo e dificuldades que 2013 traz consigo. Refiro-me a estes dois livros, porque são os que tenho lá em casa, à espera do dia em que temos encontro marcado. Esse dia pode estar perto. Mas há muitas outras sugestões fáceis de encontrar nas nossas livrarias e alfarrabistas: As Fábulas de Lafontaine, Cândido ou o Optimismo de Voltaire ou as Viagens de Gulliver de Swift. E para quem prefira os autores portugueses, A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto (uma omissão grave na lista do Nouvel Observateur, sem referência à literatura dos Descobrimentos, acontecimento histórico com alguma relevância) é uma opção a ponderar.
É só escolher ... e ler.


1 comentário:

  1. ótimas indicações, infelizmente não leio em francês (por enquanto) pra entender a reportagem...

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