terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Paris é uma festa, Ernest Hemingway





E o que fazia eu nas águas-furtadas de Duras? Bom, basicamente procurava levar uma vida de escritor como a que Hemingway relata em Paris é Uma Festa. E onde fora eu buscar esse ideia de ter Hemingway como referência quase suprema? Bom, aos meus quinze anos, quanndo li de seguida o seu livro de memórias de Paris e decidi que seria caçador, pescador, repórter de guerra, bebedor, grande amante e pugilista, quer dizer, que seria como Hemingway.” – Este parágrafo surge nas páginas iniciais do livro de Enrique Vila- Matas, Paris Nunca se Acaba e ilustra bem o peso de Paris é uma Festa, onde Hemingway conta a sua experiência na capital francesa.
A capital francesa é um tema literário de eleição. Desde o século XIX, o sonho de a visitar faz parte do imaginário colectivo. Sobretudo quando se é ou se tem a pretensão de ser artista. Para a construção do mito muito contribuíram os escritores e pintores novencentistas, numa tendência inalterada na primeira metade do século XX. Ainda hoje, apesar da maior diversidade de centros culturais, Paris continua a ser ... Paris.
Neste pequeno livro Hemingway recorda os seus tempos de jovem aspirante a escritor, relatando-nos o seu modo de vida em Paris. Traça também um retrato de quem por lá encontrou. Os capítulos são curtos e cada um centrado numa pessoa que com ele se cruzou (por exemplo, Gertrude Stein, Ezra Pound e, claro, Scott Fitzgerald) ou num local da cidade que para si foi marcante (como a livraria Shakespeare & Company ou os cafés parisienses que frequentou).
É uma obra de leitura rápida e fácil, atendendo ao estilo directo e seco de Hemingway. Nela estão descritas as alegrias e prazeres de viver naquela cidade no tempo em que por lá esteve, mas também as dificuldades e fracassos a que assistiu.
       Antes e depois de Hemingway foram vários os escritores que dedicaram obras à vida intelectual parisiense. Mas este livro tem um encanto especial. Por isso, passados tantos anos desde a sua publicação, continua a ser uma leitura interessante, pela forma como dá a conhecer a cidade e o quotidiano de uma comunidade artística cujas obras permanecem actuais.



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