sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A estante dos outros (V)

Para ilustrar as suas respostas o meu convidado escolheu
o inconfundível Eça de Queirós

Conhecemo-nos há mais de quinze anos. A diferença de idades não impediu que de pessoas que partilhavam o espaço físico do trabalho passássemos a Amigos. O que poderia ter sido em emprego algo enfadonho é hoje recordado como um tempo de permanente descoberta, com lugar para conversas bem dispostas sobre quase todos os temas.
A Luís Almeida, jurista, 82 anos de idade, devo, não só a paciência infinita com que me apoiou na experiência laboral, mas muitas descobertas, como o Museu Nacional de Arte Antiga, Karl Popper (por quem passei de forma insuspeita na minha vida académica) e Les Adieux de Beethoven.

Qual a sua primeira recordação literária?
Já sabia ler, mas gostava de ouvir contar as histórias das "Mil e Uma Noites".
            Indique três livros que o tenham marcado e porquê.
Cada fase da vida tem os seus livros preferidos. Da infância, recordo, por exemplo, o "Romance da Raposa" de Aquilino Ribeiro e a colaboração literária de Raul Correia n' "O Mosquito". Da adolescência, as "Notas Contemporâneas" e o Eça, em geral. E "Viagem à Aurora do Mundo" de Erico Veríssimo. Era uma divulgação da doutrina evolucionista, entremeada com uma ténue intriga romântica. Para mim foi um choque. Mais tarde houve outros amores, mas não tão penetrantes como os antigos. (Deixo de lado a memória dalguns livros por onde estudei ao longo da vida.).
            Tem hábitos ou rituais de leitura?
A leitura é a minha companhia consoladora em qualquer lado, menos na cama.
             Que livro não leria nem que lhe pagassem o seu peso em ouro?
Um livro em chinês.
            O que leria se dispusesse de três meses de folga, sem quaisquer preocupações?
Se passasse três meses fora deste mundo, revisitaria os meus primeiros amores.
            O que está a ler agora?
Tenho alternado as leituras de "O Mistério da`Última Ceia/Uma Viagem Histórica aos Últimos Dias de Jesus" de Colin J. Humphreys e "Porquê Ler Marx Hoje?" de Jonathan Wolff.  

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