terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Mortalidade, Christopher Hitchens

Chistopher Hitchens nasceu a 13 de Abril de 1949 em Inglaterra tendo falecido a 15 de Dezembro de 2011 nos Estados Unidos da América. Foi escritor, colunista e crítico literário em diversas publicações anglo-saxónicas. Era também um argumentador nato e um especialista em desfazer ideias feitas. O seu livro mais conhecido é Deus não é Grande: como a religião envenena tudo. Contudo, teve outras obras que causaram celeuma, designadamente The missionary position: Mother Theresa in Theory and Practice, onde teceu a sua leitura sobre essa figura da Igreja do século XX.  Mortalidade reúne um conjunto de texto publicados na Vanity Fair sobre o cancro que o afectou e que haveria de o conduzir à morte. São texto breves, mas intensos.
 Uma vez que Hitchens viveu pela palavra escrita e falada, a limpidez do texto, a clareza das ideias e a precisão das referências literárias de que se socorre não surpreendem. Na verdade, o que me marcou neste livro foi a humanidade que se  desprende de cada palavra. Hitchens não nos fala ex cathedra. Ao contrário, não abdica de ser um de nós. E de tal forma isso é conseguido que em determinado momentos quase nos vemos ao seu lado na Tumorlândia (como chama à terra dos doentes). Acompanhamos o desenrolar da doença e todos os episódios típicos: o encontro com pessoas que conhecem tratamentos não convencionais milagrosos, o repetir de histórias sobre amigos e conhecidos que tiveram o mesmo tipo de doença, a gradual percepção de que o desfecho vai ser apenas um. Hitchens apresenta-nos alguns episódios com humor. Não um humor excessivo ou amargo, mas antes natural e do qual acabamos por partilhar. Um desses momentos é quando escreve sobre a reacção de tantas pessoas suas desconhecidas que o contactaram para lhe assegurarem que iam rezar por ele (ou para lhe dizer o contrário). Ou quando propõe um manual de etiqueta para lidar com pessoas a sofrer de cancro. Outro ainda, é quando põe de lado a velha máxima de Nietzche “o que não nos mata torna-nos mais fortes”. Quanto a este ponto, já estava na altura de alguém demonstrar que essa frase é uma treta. E Hitchens fá-lo.
Há um ternura que se desprende destes textos que em nada se confunde com sentimentalismo. Há uma coragem sem basófias. Também por isso torna-se difícil acompanhar o relato nos momentos em que nos dá conta de que não vale a pena submeter-se sequer a tratamentos experimentais. E sobretudo no último capítulo que já não corresponde a texto corrido, mas antes a tópicos ou ideias que certamente já não teve oportunidade de desenvolver.
Com seriedade e coragem, aceitando que a pergunta não é “porquê eu”, mas antes “porque não eu”, Hitchens enfrenta a Grande Ceifeira com um desassombro de que poucos serão capazes. Por isso mesmo, apesar das dificuldades que lhe são inerentes, este é um livro de que gostei muito de ler e cuja leitura recomendo.







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