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| Oscar Wilde |
De uma maneira geral, não gosto de livros de citações, pensamentos ou aforismos. Parecem-me um sucedâneo de livros condensados ou daquelas obras que prometem ensinar tudo o que interessa saber sobre Proust, dispensando-nos de ler os sete volumes de Um busca do tempo perdido.
Ainda assim, comprei Pensamentos , do Oscar Wilde, uma edição da Relógio d'Água. De Wilde li pouca coisa. Recordo, em particular, O retrato de Dorian Gray, um livro sobre a beleza, a vaidade e o mal. E é quase impossível deambular pela Internet sem encontrar alguma das suas citações corrosivas sobre a natureza humana. Mas esta aparente popularidade de Wilde traz consigo uma certa injustiça. As citações são quase sempre de natureza mundana. E Wilde foi muito mais do que isso. O primeiro mérito desta colectâna está na reparação dessa injustiça.
O prefácio é de Francisco Vale. Em meia dúzia de páginas traça um retrato breve, mas completo, da vida de Wilde e da sua personalidade. E prepara-nos para o que vamos encontrar.
O prefácio é de Francisco Vale. Em meia dúzia de páginas traça um retrato breve, mas completo, da vida de Wilde e da sua personalidade. E prepara-nos para o que vamos encontrar.
Os pensamentos de Oscar Wilde estão agrupados por temas. Incluem extractos de diversas obras suas e reflexões recolhidas em cartas e episódios da sua vida. O traço essencial é o da diversidade, espelhando as vicissitudes da própria vida de Wilde. Encontramos passagens leves (por exemplo, “Dêem-me os luxos; os outros podem muito bem ficar com as necessidades básicas” ou “Agrada-me ser só eu a falar; poupa tempo e evita discussões”), mas também trechos mais profundos recolhidos de obras como De Profundis, A Alma do Homem sob o Socialismo ou O Declínio da Mentira. Aí encontramos uma outra dimensão de Wilde e podemos concluir quão injusto é reduzi-lo à figura de um escritor de comédias leves ou a uma personagem diletante. Teria certamente essas vertentes. Mas não se esgotava nelas. Isso é visível quando lemos o que deixou escrito sobre temas como o jornalismo, a religião ou a reforma das prisões. Ou as suas reflexões sobre a natureza humana. Da leitura da totalidade dos textos recolhidos infere-se a multiplicidade de interesses e a sensibilidade de Wilde. Lidos os pensamentos avulsos, fica a vontade de mergulhar na sua obra e conhecer o muito que deixou escrito. Por sorte, abre em breve a época das feiras do livro.

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