quinta-feira, 11 de abril de 2013

Persepolis, Marjane Satrapi

Em Março deste ano surgiu a notícia de que em Chicago tinha sido determinada a retirada do livro Persepolis das bibliotecas das escolas públicas, sendo igualmente limitado o seu ensino. A informação causou grande impacto nos Estados Unidos da América e noutros pontos de mundo.
Persepolis é um relato autobiográfico de Marjane Satrapi sobre a sua vida no Irão na sequência da queda do Xá e subsequente tomada do poder pelo regime dos ayatollahs. É uma banda desenhada. O que me impressionou quando o li foi a capacidade da autora, já adulta quando escreveu, nos fazer ver a realidade sobre os olhos de uma criança. Outro aspecto de que me recordo é o modo como conta as dificuldades de adaptação sentidas quando passou a viver na Europa.
Não é a primeira vez que em tempos recentes um livro é banido por ser julgado inapropriado. Neste caso, na base da discórdia estão alguns cartoons relativos ao uso da tortura na Irão. Na verdade, e como a autora sublinha, nesta entrevista à Socialist Worker são dois ou três desenhos entre centenas de outros. Por outro lado, do que vi, não parece que qualquer criança tenha tido problemas ou apresentado queixas por ter ficado impressionado com a obra. E ainda que fosse distinta a situação, será assim tão mau ficar marcado pelo que se lê num livro, para mais baseado em factos reais?
Em miúda, ninguém me impediu de ler tudo aquilo que quis. Encantei-me com as histórias da Anita uma e outra vez. Apesar do sexismo de que é acusada, a sua leitura não me conduziu a ser uma fada do lar. Com 10 anos li A tragédia da Rua das Flores. E partir daí fui pondo de lado os livros para crianças. Troquei-os por outros livros do Eça, por policiais e por incursões na literatura sul-americana. Não sei se eram adequados à minha idade. Tenho dúvidas se os terei percebido a todos na primeira leitura. Mas não tive pesadelos e não deixei de ser uma criança normal por causa dessas leituras.
Mais uma vez, (alguns) adultos criam problemas onde eles não existem. Os livros não fazem mal a ninguém. E é por isso que fico sempre nervosa com estes movimentos de censura mais ou menos encapotado que vêm problemas onde eles não existem. Até porque acredito naquilo que Marjane Satrapi diz na entrevista quanto mais sabemos mais livres somos. O que é bom, parece-me. 
Para além dos livros e do cinema, Marjane Satrapi dedica-se também à pintura, estando os seus trabalhos em exposição em Paris neste momento. Quem como eu não se pode deslocar à cidade luz, pode vê-los neste blogue, onde vi a notícia. 

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