segunda-feira, 20 de maio de 2013

Hei-de amar-te mais, Tiago Salazar

Coragem. Também generosidade e alegria. Mas sobretudo uma grande dose de bravura.
            É esta a nota dominante da leitura do livro de Tiago Salazar “Hei-de amar-te mais”.
Escrito em forma de diário é um testemunho de amor pela mulher, pelos filhos e pela vida. Li-o ao longo do fim-de-semana, incapaz de o pôr de lado. Pelas múltiplas ousadias e pela capacidade de exposição, já rara nos nossos dias cobertos de cinismos ad cautelam e cepticismos como exercícios de método. E também pela beleza de algumas frases. Tão mais bonitas por, para além da forma, terem conteúdo.
            Num momento em que a palavra mais ouvida é “crise” e num mundo em que somos levados a crer que tudo é relativo e contingente, é extraordinário encontrar a declaração de amor que este livro é. Porque nele se assume que o amor não é “eterno enquanto dure”, como canta o estafado verso de Vinicius de Moraes. É eterno. Ponto. Ou, como se escreve algures neste livro, “é um amor de sempre e para sempre”.
            É esta a primeira ousadia de Tiago Salazar. E a mais constante ao longo do livro. A que nos deixa abismados pela valentia em assumir os sentimentos. Só por isto já vale a pena mergulhar neste livro. Mas não só. Há também nas linhas escritas uma grande dose de generosidade. Na forma como o escritor se expõe nas suas dúvidas e inquietações, anseios e buscas. Porque normalmente assistimos ao produto final, mas não ao processo de construção. Que é precisamente o que este livro nos dá.
         À medida que avançamos na leitura vemos lá ao longe a vidinha. As contas, as dificuldades do dia-a-dia, próprias e comuns a tantos de nós. Ela está lá, sim. E não pode ser ignorada. Mas bem à frente nas preocupações do autor está a Vida no que ela tem de essencial. O amor, a escrita e o ioga (não sei se por esta ordem). Um caminho com obstáculos, mas semeado de ledice. É para esse trilho que o escritor nos convoca em frases como “tenho sentido que a vida é demasiado breve para se perder a oportunidade de viver com tudo” ou “é muito difícil ser inteiro de corpo inteiro a tempo inteiro”.
            Convocando Neruda, Lispector e Tagore, entre outros, este livro, escrito por um viajante, mostra-nos a maior jornada que qualquer um de nós pode ter a força de empreender: a navegação interior, à procura do que é essencial para cada um de nós.  Nestes tempos tão difíceis o que mais se pode desejar é que este exemplo nos inspire, também a cada um de nós, a não desistir. Antes a perseverar com esforço e alegria, como o autor deste livro.  

1 comentário: