domingo, 23 de junho de 2013

A poem a day keeps a doctor away


Imagem retirada daqui

             São tantas as obras de arte que recorrem à lua como fonte de inspiração. Ela adensa o mistério, acentua a solidão, aguça os sentidos. Na literatura, encontramo-la em obras infantis (basta recordar Os cinco e o comboio fantasma), policiais (fiquemo-nos por um clássico, como Arthur Conan Foyle, com O Cão dos Baskervilles) e, claro, na produção poética.
           Quando penso na lua na literatura ocorre-me de imediato este poema de Cecília Meireles, “Lua Adversa”. Esperando que não seja o caso da que esta noite nos espera, deixo-o aqui, por ocasião da anunciada maior lua cheia de 2013.

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua …
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua …)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu …

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