sexta-feira, 14 de junho de 2013

Meia-noite em Pequim, Paul French


Muralha da China

          Meia-noite em Pequim é a reconstituição de um crime real ocorrido na China em 1937. Numa madrugada de Janeiro desse ano Pamela Werner foi encontrada morta, com o corpo mutilado. O crime nunca foi desvendado oficialmente. Apesar da comoção internacional causada pelos factos, nem as autoridades chinesas, nem as inglesas apresentaram os responsáveis pela morte de Pamela, uma jovem estudante com cerca de 20 anos. Foi, pois, um crime sem castigo.
Paul French tomou conhecimento do caso ao ler a biografia de Edward Snow, um jornalista norte-americano que vivia em Pequim aquando da morte de Pamela Werner. French analisou os elementos que chegaram a ser recolhidos na investigação oficial e entrevistou ainda algumas pessoas que conheceram a vítima e os seus familiares. Para além disso, o autor do livro é também um conhecedor da história e dinâmicas sociais da China, o que é uma mais valia para o livro. No fim, French acolhe os resultados da investigação do pai da vítima, um funcionário inglês reformado que não se conformou com a falta de respostas para a morte da filha. E é com base nos elementos por ele recolhidos que são reconstituídas as últimas horas de Pamela Werner.
            O livro está escrito em forma de relato, não tendo praticamente diálogos. Na minha opinião falta alguma densidade psicológica na caracterização dos responsáveis pela investigação, Han e Dennis. São também reforçados princípios dos romances policiais: a convicção de que o homicídio é um crime em que, por regra, o agente conhece a vítima, por um lado. Mas também o de que nunca sabemos verdadeiramente quem são muitos daqueles que partilham connosco círculos sociais.
Para além de deslindar o mistério da morte de Pamela Werner, o aspecto mais interessante desta obra é a descrição que é feita sobre o quotidiano chinês, retratado de forma viva e cheia de detalhes. Transporta-nos para aquele país na década de 30 do século passado, acompanhando a agitação sócio-política inerente ao termo de uma época. Este facto, aliado ao interesse do caso, faz com que depois de começarmos a leitura seja difícil pôr o livro de lado.

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