quinta-feira, 11 de julho de 2013

A poem a day keeps the doctor away - Jorge Luís Borges

           Depois de uma semana de inquietude, o fim-de-semana foi passado a tentar debelar os efeitos da canícula que tomou conta do país. Por mim, protegida por uma ventoinha a funcionar em velocidade máxima, levei a cabo mais uma aproximação à obra de Jorge Luís Borges. Grande leitor, a sua escrita é imaginativa e sensível, espalhando-se por ficção, poesia e ensaios. Tudo escrito com apelo a referências culturais de vários pontos do mundo e sem prejuízo de uma aparente simplicidade.
Ontem, encontrei este poema, Os justos:
Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.
O que acarinha um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.

                                                           Obras completas, volume III, pág. 340.


  

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