segunda-feira, 8 de julho de 2013

Num lugar solitário, Ana Teresa Pereira

Há temas que surgem com frequência em todas as tradições literárias. Um deles, reflexo, talvez, da nossa vontade de sermos únicos, tem por base a figura do duplo que cada um de nós pode ter. Dostoievsky escreveu uma novela com esse título e também Saramago imaginou O homem duplicado.
            O duplo e até que ponto a consciência da existência do mesmo nos impede de nos desenvolvermos e tornarmos quem somos é o tema central deste livro de Ana Teresa Pereira. A narrativa é atravessada por uma história de amor que, como é habitual nesta escritora, tem tanto de encantadora como de difícil.
Os protagonistas, Tom e Patrícia (ou Isabel) são-nos apresentados como os dois pólos de uma relação terapêutica que acaba por extravasar esses limites. Mais importante do que a sucessão dos acontecimentos são as emoções vividas pelas personagens à medida que ultrapassam barreiras e se unem. O universo de Ana Teresa Pereira envolve toda a história, convocando velhos filmes e poemas de Rilke, numa história cheia de enigmas e que não se compadece com interpretações unívocas. Por mim, como gosto muito desta escritora, as dúvidas com que as personagens me deixam são bem vindas e largamente compensadas pelo gosto de mergulhar nas suas histórias.

1 comentário:

  1. não surpreende a convocação de rilke já que, no modernismo, a figura do "doppelgänger" assume especial relevo, embora sempre presente em particular na literatura germânica.
    como tenho muito interesse por este recurso literário talvez me balance a esta leitura.
    obrigada pelas sugestões sempre frescas.

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