terça-feira, 20 de agosto de 2013

A Sedução, Elisabeth Jane Howard

All is fair in love and war é um lugar comum que todos nos habituámos a ouvir. E de entre as coisas que o amor torna justas está a preocupação de cada apaixonado em mostrar o melhor de si.
No livro Sedução de Elisabeth Jane Howard assistimos a esse processo com uma nota desviante: o protagonista Henry Kent não está apaixonado. Procura antes fazer-se amar. A escolhida é Daisy Langrish, uma escritora abalada por dois divórcios e desiludida com as questões amorosas. Nada que enfraqueça a auto-confiança de Henry.
A narrativa é feita a duas vozes. A de Henry Kent na primeira pessoa e a de Daisy através de um narrador exógeno, que se vão intercalando. Há ainda outras personagens com carácter secundário mas que acabam por ter um papel essencial no desenlace da narrativa.
A acção é fluída, não existindo monotonia. A escrita de Howard é cheia de detalhes, descrições minuciosas de paisagens e cenas quotidianas. Mas toda a acção exterior serve aquele que é o aspecto mais interessante do livro: permitir-nos entrar na mente de Henry Kent cujos traços perpassam todo o livro.
Sedução é essencialmente um romance psicológico. Sendo uma obra de ficção, Henry Kent é, num primeiro momento, tão normal que poderia ser alguém do nosso círculo social. E ao mesmo tempo vai-se revelando frio, calculista e metódico na aproximação que faz a Daisy Langrish, sopesando cada palavra e gesto que lhe dirige, tendo em vista a concretização do seu objectivo final. É isso que torna a leitura deste livro perturbante.
O aspecto menos conseguido, a meu ver, é o final. É realista e, nesse aspecto, o facto de não ser surpreendente, só por si, não me parece que desiluda. Contudo, face à dinâmica e extensão da narrativa o desenlace é demasiado rápido. O momento em que Daisy começa a perceber a verdadeira personalidade de Henry e aquele em que obtém certezas quanto à mesma parece-me brusco, face ao modo como a acção tinha sido até aí conduzida até aí.
Tal facto não retira, porém, o interesse da leitura deste livro. O tema central acaba por ser a confiança que depositamos nos outros e como reagir quando a mesma é abalada. Vislumbra-se o reconhecimento da capacidade de regeneração do ser humano e o valor inestimável da amizade.
Elisabeth Jane Howard é inglesa e nasceu a 26 de Março de 1923. Começou por ser actriz e modelo. Mas o certo é que desenvolveu ampla carreira também como escritora, tendo publicado mais de uma dezena de romances, alguns dos quais serviram de base a séries televisivas e filmes.

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