terça-feira, 10 de setembro de 2013

Coração sem limites, Katie Davis e Beth Clark

Katie e as filhas (link para o blogue aqui)


 

São muitas as razões que nos conduzem ao que lemos. A recomendação de um amigo, a exposição feita na badana ou o facto de se tratar de um clássico são apenas algumas. Outra é a pura curiosidade a vontade de conhecermos formas de estar na vida que são muito diversas das que escolhemos para nós.
Vem isto a propósito de Coração sem limites, uma espécie de auto-biografia de Katie J. Davis escrita com Beth Clark. O relato começa quando Davis, então com 18 anos e uma vida confortável junto dos pais e irmão nos Estados Unidos, resolve ir viver durante algum tempo para o Uganda, a fim de trabalhar como voluntária com crianças desprotegidas. O que seria provisório vai ganhando consistência e acaba por ser, tanto quanto pode antever-se, definitivo. Davis vive hoje no Uganda com as suas 13 filhas adoptivas (sendo um mulher solteira, a lei do país não lhe permite adoptar rapazes) e presta auxílio (alimentação, cuidados de saúde e educação) a outras centenas de crianças.
Quando se pega neste livro não se espera uma grande obra literária. Efectivamente não o é, embora esteja escrita de forma escorreita. O único aspecto que pode tornar a leitura menos fluída são as frequentes invocações de Deus e de Jesus. Davis é cristã e o texto dá ampla nota disso, o que pode dificultar a leitura para aqueles que não partilhem da sua fé fervorosa. Ainda assim, e sem discutir a evidente legitimidade de incluir esses elementos que lhe são tão caros, não há dúvidas de que o contexto religioso explica a enorme capacidade de sacrifício desta norte-americana. E acaba por não prejudicar o que me parece ser de reter neste livro: a extraordinária capacidade de entrega desta pessoa perante as dificuldades que a sua missão encerra. Desde o clima do país passando pela miséria em que vive a população do Uganda, incluindo um olhar crítico sobre todos aqueles que optam por ignorar o sofrimento dos seus semelhantes, mesmo quando é extremo e se vê das janelas de sua casa. Sobre tudo isto Davis fala de coração aberto, partilhando os obstáculos e as alegrias da sua vida. E, tendo em conta que aos 18 anos já era mãe adoptiva de mais de dez filhas, é impossível não pousar o livro com uma forte admiração por ela.
Katie Davis tem um blogue onde se pode conhecer melhor o seu trabalho.

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