terça-feira, 1 de outubro de 2013

Mel - Ian McEwan

Mel conta a história de Serena Frome uma jovem inglesa que em plena Guerra Fria é recrutada pelo MI5. Apesar do empenho que põe na sua missão as coisas não correm exactamente como esperado.
McEwan dá-nos a conhecer o contexto familiar da personagem e a sua evolução até ao momento em que ingressa nos serviços secretos ingleses. Descreve igualmente o modo de funcionamento daqueles á época, de uma forma tão detalhada que, em certos momentos, parece que estamos dentro das respectivas instalações. Aliás, o rigor na reconstituição está explicado na nota final de agradecimento do autor, aí surgindo também indicada a bibliografia que consultou.
Uma vez integrada nos serviços secretos e após um período em que a sua carreira não parece despertar particular interesse, é dada a Serena Frome uma missão que a põe em contacto com T. Haley, um prometedor romancista. É preciso dizer que o traço característico de Serena é a sua paixão pela literatura. Esse é um factor decisivo, não apenas para a sua escolha como elemento na indicada missão, mas também para o modo como a mesma se desenvolve.
São aqui retomados temas já presente em outras obras deste escritor: o engano, a traição, a ténue linha que separa a verdade da mentira em muitos momentos das relações humanas. E a importância dos desvios que todos nós fazemos, como personagens nas histórias que inventamos. Esses eram tópicos já presentes em O inocente e Expiação.
Tal como naquele último livro, também e Mel o autor relembra os leitores mais distraídos de que, ao contrário do que pode suceder na literatura em que a acção se contém nos limites desenhador pelo escritor, na vida não há fórmulas fechadas. A imprevisibilidade humana conduz a que muitas vezes o resultado de uma actuação junto de terceiro esteja longe de ser o esperado.
Serena Frome mergulha, pois, no mundo da criação literária, com o fascínio comum a todos os leitores. Neste livro, McEwan troca-nos as voltas, tal como sucede com à personagem principal. Mas, numa construção curiosa, comum também a Serena Frome deixa-nos a decisão quanto ao desfecho, feliz ou não, desta história.
De entre os livros deste autor, o meu favorito continua a ser Sábado. Mas Mel é também um livro que vale a pena ler. Não só pelo retrato que faz do MI5, mas também pela capacidade de virar o feiticço contra o feiticeiro, no que a Serena Frome diz respeito. E pela coragem de propor um final feliz.

1 comentário:

  1. Tenho 4 livros de Ian McEwan lidos e este, 'Mel', é o meu favorito. Não li 'Sabado', talvez seja um dos próximos. Nao sei se já leu 'Amesterdão', e o que achou deste livro; eu pelo menos estava com bastantas expectativas, por ter sido a obra vencedora do prémio Booker Prize em 98, mas não foi um livro que me tivesse cativado muito.

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