terça-feira, 23 de setembro de 2014

De novo no cinema: Os Maias





               O traço distintivo de uma obra de arte é o modo como a olhamos uma e outra vez e vamos descobrindo novas perspectivas. Os Maias podem ser vistos como a história de uma família, a narração de um grande amor condenado ou o retrato de uma sociedade ou de um país. Sem esquecer nenhuma destas dimensões a obra de João Botelho privilegia a relação de João da Ega e Carlos Eduardo. É a homenagem a uma grande amizade. E a diferença entre sofrer sozinho ou ter um amigo que nos ampare quando a alma é atirada para a latrina está bem patente nas cenas posteriores à descoberta da horrível verdade sobre Carlos e Maria Eduarda. Ambos em sofrimento, mas o dela agravado pela solidão.
A versão completa do filme tem cerca de três horas. Passam num ápice e é um alívio verificar que, ao contrário de outras adaptações cinematográficas (como a que foi feita há anos da obra de José Rodrigues Miguéis O milagre segundo Salomé) esta respeita a letra e o espírito do autor do livro. A ver e a reler. Ou, para quem escapou no liceu, a ler …








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