sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O que ler: Os livros do mundo




Ann Morgan numa fotografia obtida aqui
  

Foi Sócrates quem disse “não sou ateniense nem grego sou um cidadão do mundo”. Mas esta visão cosmopolita, registada numa das estações de metro de Lisboa, é de difícil realização para o leitor contemporâneo. E não é só pela imensa quantidade de livros publicados anualmente, dando renovada força à máxima inglesa “so many books so little time”. Se é certo que se publica muito também não é menos verdade que a grande maioria dos livros trazidos à estampa têm a sua origem num mesmo espaço cultural - Europa e América do Norte. No nosso país, apesar de tudo, ainda é possível aceder também à literatura sul-americana e à africana (esta última quase exclusivamente se for de expressão portuguesa). Existem também traduções de autores chineses e japoneses. Mas a mingua (porque me parece ser essa a expressão adequada) de acesso à literatura do mundo é visível quando adoptamos uma visão mais abrangente. Isso mesmo foi deixado evidente por Herman Hesse numa colecção de ensaios publicada entre nós com o título Uma biblioteca da literatura universal.  Logo no texto de abertura Hesse indica os textos essenciais e a variedade dos mesmos impõe respeito. A lista é composta por clássicos e ali surgem como indispensáveis o Tao Te Ching (O Livro do Caminho e da Virtude) e As Mil e Uma Noites, entre outras obras. Este conhecimento abrangente das literaturas do mundo parece-me mesmo muito apelativo. Por isso achei tão interessante o desafio que Ann Morgan, jornalista inglesa, lançou a si própria.Não coincide com a lista de Hesse até porque não tem por objecto os clássicos. Tendo em conta a existência de 196 países no mundo Morgan impôs-se um ano para ler um livro escrito por um autor de cada um deles. As dificuldades práticas da tarefa são evidentes e ela deixa-as enumeradas no blogue que criou (A year of reading the world). Para além disso o blogue é também o registo das ajudas que foi encontrando pelo caminho, muitas das quais chegaram pela internet. E tem também a lista de leituras que fez onde se incluem obras de sítios tão diversos como Chade, Nepal, Uzebequistão ou Venezuela. Morgan escreveu também um livro sobre esta sua experiência que a mim, devo confessar, me deixa um pouco cobiçosa. Tenho alguma facilidade em imaginar-me no lugar dela na fotografia acima, exibindo aquele mesmo sorriso de felicidade... 
Brincadeiras à parte, a verdade é que muitos dos livros que indica na sua lista não são fáceis de encontrar. Talvez seja quase impossível lançar-lhes a mão sobretudo se precisarmos da tradução portuguesa. Já os que integram a lista de Hesse estão, tanto quanto me apercebi, disponíveis entre nós. E, isto dito, por que não começar a passear por estantes e bancadas menos frequentadas nas livrarias e dar por lá um salto de fé literário. Quem sabe se não voltamos à superfície com um tesouro nas mãos?  

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