“Em última
análise, os livros, como os homens, cruzam os países, os continentes e os
oceanos. Ser-me-ia grato, porém, sublinhar que, companheiros dos homens que os
amam, eles sabem procurar aquele que com eles conversam. Objectos nobres por
excelência, concebidos e realizados pelo génio humano, são eles que nos
procuram, são eles que nos encontram e neles podemos ter sempre a certeza de
descobrir uma palavra de conselho, de advertência e de amor!”
Estas
palavras de José Vitorino Pina Martins podem ser lidas na sua obra Histórias de livros para a história do livro.
Nela o coleccionador narra o modo como adquiriu alguns dos exemplares mais
valiosos da sua biblioteca, umas vezes por compra, outras vezes por troca com
outros livros que tinha adquirido.
A primeira
vez que ouvi falar na biblioteca de Pina Martins foi através de uma reportagem
no jornal O Independente. Ali se
falava do gosto do coleccionador por obras renascentistas e das alegrias que os
livros obtidos lhe proporcionavam. Essa felicidade foi transposta para a
exposição Uma Biblioteca Humanista – Os objectos procuram aqueles que os amam que pode ser visitada na Fundação Calouste
Gulbenkian até ao próximo dia 25 de Maio. É uma mostra pequena mas onde se
encontram não só algumas das obras emblemáticas do coleccionador, mas também os
seus papéis de trabalho e reflexões sobre a aquisição daquelas. Quando se lêem
as mesmas com atenção vemos que não é o valor económico das obras, mas antes o
seu conteúdo e a sua história que são valorizados. Mais ainda: quem já
andou a percorrer livrarias e alfarrabistas à procura de um determinado título
e teve depois a alegria de encontrar o volume pretendido pode rever-se no encanto com que Pina Martins fala dos seus livros.




