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Foi Pina Martins, reputado bibliófilo
(parte do seu espólio está em exposição na Gulbenkian) quem disse que os objectos
procuram aqueles que os amam. Eu e este livro encontrámo-nos à saída da Casa Museu Dr. Anastásio Gonçalves e já não nos largámos.
Jeff
Fuchs é explorador, montanhista e escritor. Teve a ideia de recriar o trajecto
das caravanas do chá e dos cavalos por estradas que ligam o Tibete e a China. A
rota teve como primeira viajante uma princesa chinesa dada em casamento ao rei
tibetano. Da sua bagagem faziam parte folhas de chá que conquistaram os seus
novos súbditos. Em contrapartida, os tibetanos enviavam aos chineses os seus
cavalos, cuja resistência e força eram preciosos às ambições militares do
Império do Meio. E assim se iniciou um trajecto que se tornou uma das mais
viajadas rotas orientais. Os tempos são outros mas Fuchs, em aventureiro dos
tempos modernos, decidiu fazer esta viagem com os muleteiros. Este livro é o
relato das alegrias, fadigas e perigos da viagem. Ainda estou no início e tenho
de admitir que o meu espírito aventuroso na vida real situa-se a níveis medianos.
Não me imagino a fazer a viagem de Fuchs face ao tempo de duração (oito meses)
e à resistência física que exige.Já para não falar dos perigos físicos, claro.
Mas ler as suas aventuras
foi uma forma esplêndida de terminar a noite de ontem. Ainda vou no início do
livro pelo que tenho a esperança de uma destas noites ser transportada em
sonhos para o sopé dos Himalaias, ver tudo sem grande esforço físico (a
vantagem das viagens em livro e em quimera) e regressar a tempo do pequeno-almoço.

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