quarta-feira, 25 de março de 2015

Uma biblioteca humanista




“Em última análise, os livros, como os homens, cruzam os países, os continentes e os oceanos. Ser-me-ia grato, porém, sublinhar que, companheiros dos homens que os amam, eles sabem procurar aquele que com eles conversam. Objectos nobres por excelência, concebidos e realizados pelo génio humano, são eles que nos procuram, são eles que nos encontram e neles podemos ter sempre a certeza de descobrir uma palavra de conselho, de advertência e de amor!”
Estas palavras de José Vitorino Pina Martins podem ser lidas na sua obra Histórias de livros para a história do livro. Nela o coleccionador narra o modo como adquiriu alguns dos exemplares mais valiosos da sua biblioteca, umas vezes por compra, outras vezes por troca com outros livros que tinha adquirido.

A primeira vez que ouvi falar na biblioteca de Pina Martins foi através de uma reportagem no jornal O Independente. Ali se falava do gosto do coleccionador por obras renascentistas e das alegrias que os livros obtidos lhe proporcionavam. Essa felicidade foi transposta para a exposição Uma Biblioteca Humanista – Os objectos procuram aqueles que os amam que pode ser visitada na Fundação Calouste Gulbenkian até ao próximo dia 25 de Maio. É uma mostra pequena mas onde se encontram não só algumas das obras emblemáticas do coleccionador, mas também os seus papéis de trabalho e reflexões sobre a aquisição daquelas. Quando se lêem as mesmas com atenção vemos que não é o valor económico das obras, mas antes o seu conteúdo e a sua história que são valorizados. Mais ainda: quem já andou a percorrer livrarias e alfarrabistas à procura de um determinado título e teve depois a alegria de encontrar o volume pretendido pode rever-se no encanto com que Pina Martins fala dos seus livros. 


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