quinta-feira, 30 de julho de 2015

A arte sem história, Filipa Lowndes Vicente

Em Novembro de 2011 vi em Milão uma retrospectiva do trabalho de Artemisia Gentilishi. Tendo vivido no século XVI e crescido numa família ligada à arte, Artemisia ultrapassou em vida a fama do seu pai e impôs-se como autora de centenas de quadros de traço vigoroso preenchido em tons fortes. E não foi caso único. A pintura ocidental oferece numerosas artistas mulheres umas com mais talentos do que outras (como sucede, naturalmente, com os seus confrades do sexo masculino). Mas há um aspecto que todas elas têm em comum: os seus nomes não passaram o crivo da história. Só a partir dos anos 70 do século XX é que as suas obras começaram a ser recuperadas, num trabalho que está ainda longe de se poder considerar terminado. Artemisia, Angela Kauffman, Elisabeth Vigée Le Brun e Josefa de Óbidos (ou de l’Ayala, como lhe chamam os castelhanos) são apenas a ponta do iceberg. É sobre elas (e tantas outras cujos trabalhos se evaporaram ou estão perdidos em depósitos de museus) que escreve Filipa Lowndes Vicente neste livro. É um trabalho de investigação em forma de ensaio. Tem muita informação mas está escrito de forma tão clara e directa que prende a atenção do leitor (a) comum. Esta obra caiu-me nas mãos mais ou menos por acaso. Mas ainda bem. A sua leitura permitiu-me conhecer o passado e perceber melhor o sentido de certas obras (como as de Josefa de Óbidos em exposição no MNAA em Lisboa até 6 de Setembro), mas também reflectir sobre o papel das mulheres na produção artística dos nossos dias.

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