segunda-feira, 13 de julho de 2015

Stoner, John Williams

Este livro é uma reedição tendo sido inicialmente publicado em 1965. O autor estava convicto da sua qualidade. E parece que tinha razão. A escrita e o tema mantêm-se actuais tantos anos depois e ainda não encontrei um leitor que não se tenha visto numa daquelas situações de leitura compulsiva. Sem conseguir parar até chegar à última página. Desejando então ter lido muito mais devagar. O protagonista do livro é um homem comum e a sua vida não teve nada de extraordinário. Nasceu numa família pobre, foi estudar agricultura e acabou formado em literatura, casou, teve uma filha, teve uma carreira banal, reformou-se e chegada a sua hora morreu. Este resumo não estraga o gosto pelo livro. Aliás, a vida de Stoner é sumarizada logo no primeiro parágrafo da obra mais ou menos nos termos que deixo escritos e isso não impede que se mergulhe numa leitura compulsiva do mesmo. Disse que Stoner é um homem comum. Mas existirá verdadeiramente tal ser humano? É como dizer que alguém tem uma vida normal. Quando olhamos mais de perto cada pessoa tem alguma coisa de extraordinário e todas as vidas são uma espécie de epopeia. Stoner fala sobre a pequena grande vida que todos vivemos com as vitórias, alegrias, derrotas e tristezas que compõem a nossa existência e lhe dão sentido, mesmo que não mereçam uma nota de rodapé da História. É um livro em que perpassa uma melancolia sem tensão e onde o protagonista sai invicto, salvo pela sua integridade (de que nunca abdica) e pelo seu amor aos livros (que nunca o abandona). Há anos li um outro livro de que gostei muito (A vida de sonho de Sukhanov de Olga Grushin) onde a perda de integridade e traição à arte (no caso, a pintura) ditavam o infortúnio do protagonista, apesar da aparente glória mundana.De algum modo, Stoner é o inverso de Sukhanov. 

            Se Stoner foi ou não feliz é uma pergunta a que cada leitor tem de dar resposta. John Williams achava que sim. E eu tendo a concordar com ele. Qualquer que seja o veredicto o livro é altamente recomendável. O melhor que li este ano sem dúvida. 

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