sábado, 1 de agosto de 2015

O paraíso das mulheres

Quando era miúda o meu pai prometia levar-me aos alfarrabistas se me portasse bem A primeira vez que essa promessa surgiu perguntei-lhe “mas tem mais livros que a livraria Ler?”. Na altura, essa livraria de Campo de Ourique era o meu diapasão para determinar se a deslocação valia a pena. O meu pai foi peremptório: “Muitos mais.” Tinha razão. E as nossas visitas aos alfarrabistas foram-se tornando regulares ao longo dos anos. Foi nessas lojas na Baixa que encontrei tesouros como a Ana Karenina de Tolstói ou os meus primeiros livros de Zola e Balzac. Foi num pequeno alfarrabista perto da estação do Rossio que comprei História de Duas Cidades de Dickens e me apaixonei pelo amor de Sydney Carlton por Lucie Manette. Hoje com a profusão de edições de bolso e reedições não é fácil explicar o jeito que os alfarrabistas davam. Mas o seu encanto não esmorece. Quando os visito nunca volto de mãos vazias. Há sempre qualquer coisa a um preço convidativo que é imperdível. Às vezes, é um livro de um autor de que já ouvi falar milhentas vezes mas que nunca tinha encontrado, como sucedeu recentemente com Pierre Loti. Outras vezes, é um livro totalmente inesperado que nem sabia que existia, mas que é irresistível. É o caso deste O Paraíso das mulheres de Blasco Ibanez um autor espanhol do final do século XIX/ início do século XX. Com tal título, esta capa e por €2,50 vale a pena explorar onde será essa terra mítica. Darei notícia do que por lá encontrar. 

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