sábado, 27 de fevereiro de 2016

O amante japonês, Isabel Allende




     Depois de anos sem ler os livros de Isabel Allende eis o reencontro com este O Amante Japonês. O protagonismo do livro pertence, como sempre, às mulheres. Uma mais velha (já anciã) e uma outra acabada de sair da adolescência, mas já com muito para contar. Através de ambas, a escritora chilena visita temas incómodos do passado e do presente. Com a anciã recordamos a II Guerra Mundial e os campos de detenção criados nos EUA para os japoneses depois do ataque a Pearl Harbour. Com a mais jovem seguimos alguns dos horrores da vida contemporânea: a guerra, as máfias que se instalaram no Leste, o tráfico de seres humanos e o abuso sexual de menores. A escrita é clara, segura e sem redondilhas, o que torna a leitura muito fácil. O extraordinário poder de Isabel Allende é a capacidade que tem de narrar estas histórias com uma leveza de escrita que permite ao leitor ter alguma esperança. Sem hipocrisias ou ingenuidades e já afastada do realismo mágico que lhe valeu o reconhecimento há anos atrás, o que se desprende das páginas de Allende é a certeza de que apesar das dificuldades da vida há sempre um espaço para sermos felizes.