sábado, 12 de março de 2016

Não há tantos homens ricos como mulheres bonitas que os mereçam, Helena Vasconcelos

  A premissa inicial é interessante mas não original. Jane Austen é das autoras que mais gera "literatura paralela": revisitações dos seus romances, em particular Orgulho e Preconceito, com novas visões (sob a perspectiva do Mr. Darcy, por exemplo), sequelas, prequelas e mesmo elementos de fantástico (como zombies). Este livro é o primeiro deste género em Portugal (ao que sei). 
   No essencial, narra as vicissitudes de uma jovem portuguesa que vai para Londres estudar a obra de Austen. Começamos a acompanhar a protagonista ainda na sua infância (através de flashbacks) e a história vai avançando em capítulos que alternam entre a evolução da acção e a introdução de elementos da vida de Austen e da sua obra. Estes últimos acabam por ser pouco úteis para o desenvolvimento da narrativa e parece-me que quem não conheça as obras de Jane Austen não fica elucidado. Por outro lado, quando terminei o livro pareceu-me que vários aspectos centrais ficaram por resolver para a protagonista: o episódio no quarto de hotel em Londres com o Eduardo (que sendo um acontecimento traumático não tem consequências na evolução da narrativa, nem mesmo ao nível interior da protagonista) e a descoberta da influência decisiva do antigo apaixonado da avó na sua vida (também a exigir desenvolvimento e confronto, a meu ver). O livro poderia ser uma história de amadurecimento e descoberta pessoal, mas não é. Termina com a verificação de que a vida hoje é mais complexa do que no tempo dos livros de Jane Austen, o que é certo. Mas provavelmente a vida nesse tempo, sobretudo a vida das mulheres, era bem mais complexa do que a aparente simplicidade dos romances daquela deixa transparecer. 

2 comentários:

  1. Fiquei tão desiludida com este livro.
    Ouvi uma entrevista com a escritora e comprei o livro na primeira oportunidade. Acho que desta vez aprendi que comprar por impulso sem ter nenhuma indicação não é a melhor das ideias.
    Boas leituras
    Patrícia

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  2. Aconteceu-me mais ou menos o mesmo ...
    Carla

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