terça-feira, 7 de junho de 2016

Notas de Cozinha de Leonardo da Vinci, Shelagh e Jonathan Routh



     As notas de cozinha de Leonardo da Vinci, uma oferta de aniversário de um dos meus melhores amigos, foram a minha leitura de cabeceira dos últimos dias, não obstante ser pouco dada a tachos e panelas. Mas mesmo para quem passa longe da cozinha estas notas são uma leitura imperdível.      

      Não se pode assegurar com absoluta certeza que estes sejam os apontamentos de cozinha de Leonardo Da Vinci. À sua morte deixou os manuscritos ao cuidado de Melzi, seu discípulo. Ao longo dos séculos os códices de Leonardo têm sido localizados em bibliotecas privilegiadas da Europa, designadamente em Madrid e em Leicester. O Codex Ramanoff, de onde são extraídas as notas de cozinha, terá sido encontrado no Hermitage e aí copiado. As circunstâncias que rodearam tal operação não são claras e as autoridades russas não confirmam, nem desmentem.  Mas não se duvida da importância da culinária na vida de Leonardo Da Vinci. Nascido em Florença o seu padrasto era pasteleiro, o que veio a calhar para alguém tão guloso como Leonardo. Da degustação passou à confecção. Mas o seu génio e a apetência pela culinária vegetariana nem sempre foram compreendidos pelos destinatários dos seus pratos, gente tão diversa como os clientes da Taberna dos Três Caracóis, Ludovico Sforza e Francico I de França. Leonardo nunca desanimou. 

          A primeira parte deste livro é composta por notas biográficas sobre Leonardo, um génio a quem devemos não só a Última Ceia, mas também o muito mais prosaico (mas inequivocamente útil) guardanapo. São vários episódios relatados não só como cozinheiro, mas também como mestre de festa e banquetes (lugar ocupado junto de Sforza). Tudo isto enquanto a sua extraordinária inteligência e capacidade de trabalho o levavam a invenções mirabolantes para o tempo (como o escafandro e a barbatana hoje usados no mergulho, tanques de guerra e máquinas de descascar alho), enquanto estudava astronomia, anatomia, hidráulica, cosmologia, mecânica, numa clara demonstração de que mais do que um homem do Renascimento Leonado Da Vinci foi o homem do Renascimento. A segunda parte do livro contém as receitas de cozinha, com tópico tão diversos como pudim de sabugueiro, sopa de caracóis e a sempre útil matéria do uso de venenos na cozinha. A não perder, pois!             

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