sexta-feira, 15 de julho de 2016
segunda-feira, 11 de julho de 2016
sábado, 9 de julho de 2016
O fim da mulher silenciosa
Apenas miúdos de Patti Smith é
um relato autobiográfico da juventude da artista norte-americana. Leva-nos a
Nova Iorque, ao início do seu processo criativo e à sua relação com Robert
Mapplethorpe. Lê-se de uma assentada. As dificuldades materiais pelas quais
passaram, o desenvolvimento do tempo criativos, os meses no mítico Chelsea
Hotel são descritos com a objectividade dos anos, mas sem que se perca a noção
do tempo apaixonado e intenso que a autora viveu. Segue-se M Train,
também traduzido para português, mas que ainda não li.Susan Neiman é
uma das mais conceituadas filósofas contemporâneas. Em Portugal foi
editado O Mal no Pensamento Moderno, mas há outros livros
disponíveis como Why grow up? ou Moral Clarity. As
obras de Neiman têm o condão de tratando de temas complexos serem de leitura
escorreita mesmo para quem não tem formação académica em filosofia, pois
escreve de forma muito clara e precisa. Não ilude ou escamoteia as questões mas
consegue pôr-nos a pensar sobre elas e não a tentarmos perceber o que quer ela
dizer. O seu pensamento é claro e está descrito de forma objectiva. Slow
Fire (ao que sei sem edição em Portugal) é o relato
autobiográfico dos anos em que viveu em Berlim e ali estudou Filosofia,
restando dizer que a acção decorre na década de 80 do século XX, com o muro a
dividir a cidade e que a autora é descendente de judeus. É muito interessante
ler as aventuras e o percurso intelectual e vivencial desta académica, pois
relata-nos não apenas a vida universitária, mas também as suas interacções
sociais e percepção da vida berlinense.
É sabido que ao longo da História existiram inúmeros
mulheres pintoras e escultoras. Artemisia Gentilishi, Angela Kaufmann, Josefa
d’Óbidos e Camille Claudel são apenas exemplos. Mas são poucos os registos
escritos que lhes são conhecidos. Talvez por isso ganhem especial interesse o
diário criativo de Frida Kahlo e a narrativa autobiográfica de Judy Chicago. As
suas obras são muito diferentes entre si. O registo de Frida Kahlo é
íntimo e nunca se destinou a ser publicado. A sua edição (disponível em
Portugal) é um manancial de cor e dor, dividida entre a descoberta da riqueza
cultural mexicana, o amor por Diego Rivera e as sequelas do acidente que teve
em adolescente e que lhe deixou marcas no corpo para toda a vida. O livro
de Judy Chicago teve na sua génese um propósito muito diverso.
Descobri-o no Museu de Arte Contemporânea de Estocolmo. O museu está organizado
de forma a que o público tenha acesso a livros directa ou indirectamente
relacionados com o acervo em exposição. Como visitei o museu sozinha e sem
restrições de horário tive tempo para explorar um exemplar desta obra. Foi
assim que me apercebi de que Judy Chicago é uma das mais conceituadas artistas
plásticas norte-americanas, feminista e activista. Este livro foi escrito em resposta
ao desafio lançado por Anais Nin e visa responder à necessidade sentida pelas
jovens pintoras que se sentiam algo desamparadas nos primeiros passos no mundo
da arte. Mesmo para quem não é uma jovem candidata a artista plástica o livro é
uma leitura interessante. Chicago relata a sua infância e juventude, entrada na
vida adulta e maturação como mulher e como artista. É muito frontal nos relatos
que faz, designadamente no plano da descoberta sexual e das suas opções
amorosas. Algumas das realidades que descreve podem estar um pouco datadas (a
autora nasceu em 1939), mas o livro está longe de ter apenas interesse
histórico ou restrito a quem seja apreciador da sua obra artística. Aliás, eu
não a conhecia e ainda não conheço grande parte do seu trabalho, o que não me
impediu de achar a leitura deste livro viciante. A ler e reler,
certamente. E, por fim, uma palavra para A minha vida,
autobiografia de Isadora Duncan. Há anos que tenho a edição de
bolso francesa e verifico que foi agora editada versão em português, pela Nova
Acrópole. Duncan foi bailarina com uma carreira internacional que a levou a
actuar um pouco por todo o mundo. A morte colheu-a num acidente de viação,
impedindo-a de reler as provas deste livro e proceder às correcções
necessárias. Mas ainda assim, a sua escrita vibrante pulsa em cada uma das
páginas desta sua obra à medida que relata a sua progressão na carreira, as
viagens feitas e as impressões de vida.
terça-feira, 5 de julho de 2016
Se a minha conta bancária crescesse à velocidade da lista de livros para ler já era milionária
O encontro da Arte com o Poder na Rússia estalinista pela mão de um dos maiores escritores ingleses contemporâneos.
sexta-feira, 1 de julho de 2016
O maior bem que podemos fazer, Peter Singer
Peter Singer
é um dos mais conhecidos filósofos contemporâneos. O seu trabalho incide sobre
diversos aspectos da ética no mundo contemporâneo. É um defensor dos direitos
dos animais e, se nem sempre conseguimos ter o rigor existencial que seguir as
suas premissas pressupõe, a limpidez e honestidade intelectual do seu
raciocínio são uma mais-valia para qualquer leitor. Nos últimos anos, Singer
tem-se notabilizado pelo seu papel central na teorização e defesa do altruísmo eficaz.
O argumento central é o de que se temos o suficiente para assegurar as nossas
necessidades temos o dever moral de ajudar que não o tem. A visão de Singer é
abrangente. A sua reflexão é centrada nos casos de pobreza endémica, isto é,
situações de tal forma graves que um homem ou mulher médio, por mais esforçado
e lutador que seja, dificilmente conseguirá reverter as suas condições de vida.
Está em causa sobretudo o apoio às populações africanas e asiáticas mais
carenciadas. Mas, para além, da vontade de ajudar, Singer coloca outras
questões essenciais: como ajudar. Como o ouvi dizer numa palestra que circula
na internet (podem ver aqui) trata-se de usar a coração e a cabeça. E, em
particular, quando se trata de fazer donativos em dinheiro, Singer põe o dedo
na ferida ao sustentar que se devem canalizar os mesmos para as entidades que efectivamente
mostram obter os melhores resultados. Não se trata, pois, de caridadezinha, mas
sim do compreender de que modo cada um de nós, à sua escala e sem alterar de
forma drástica as suas condições de vida, pode ajudar o próximo a modificar as
suas. Este novo livro retoma e desenvolve ideias que já tinham sido
desenvolvidas em momento anterior, designadamente no livro A vida que podemos salvar. As explicações dadas são claras e
objectivas, apoiadas em factos e números. E ganham ainda maior interesse face à crise dos refugiados que vivemos actualmente. Se muitas pessoas fogem dos conflitos armados, também é sabido que outras vêem em busca de melhores condições de vida, face à falta de condições dos seus países de origem. Devo dizer que a leitura da primeira
obra, alterou a minha percepção destas matérias e teve impacto directo na minha
actuação. Porque a filosofia, como bem sabiam os gregos e nós não devemos
esquecer, não é um exercício teórico lúdico, mas sim uma reflexão que fazemos e
que se destina a decidir como nos vamos posicionar na vida.
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